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“Se há coisa que não somos é populares. E quem entrar depois vai estar melhor do que estava”, diz Salgado Zenha

Francisco Salgado Zenha, vice e administrador da Sporting SAD, falou em entrevista à Lusa das mexidas em plantel e custos, do vencimento proposto à AG, do papel de Jorge Mendes e do naming do estádio.

Francisco Salgado Zenha, aqui ao lado de Frederico Varandas, explicou alguns dos pontos do Relatório e Contas do exercício 2018/19

MÁRIO CRUZ/LUSA

Um dia depois de ter sido comunicado à CMVM o Relatório e Contas do exercício 2018/19, que terminou com um prejuízo de 7,9 milhões de euros (ainda assim 12 milhões a menos do que no período homólogo), Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting e administrador da SAD verde e branca, explicou em entrevista à agência Lusa vários pontos ligados à realidade leonina, desde as alterações no plantel, a redução de custos, a influência de Jorge Mendes ou possíveis novas receitas futuras. “Se há coisa que não somos é populares, estamos aqui para fazer o nosso melhor e construir. E dou-lhe a minha palavra de que quem entrar depois de nós vai estar melhor do que estava”, garantiu o responsável.

“A Sporting SAD fechou o exercício com resultado líquido negativo de 7,9 milhões de euros. No entanto, tem imparidades com atletas que considerámos excedentários em 8,6 milhões, o que significa que, se excluirmos estas imparidades, iríamos ter um resultado líquido positivo de 700 mil euros. Este ano, sendo um ano de transição, até porque este Conselho de Administração entrou já com o ano fiscal a decorrer, foi um ano em que fizemos os ajustamentos que achámos necessários do ponto de vista do equilíbrio financeiro”, destacou Salgado Zenha, entre outros focos no Relatório e Contas.

“Houve uma recuperação do défice operacional de 35 milhões de euros, com um fluxo de pagamentos estimado para este ano de 225 milhões de euros, que acabou por se concretizar. Esta administração não vai entrar em loucuras mas também não vai fazer apertos de cinto sem estratégia. Não andamos a cortar a eito, precisamos de equilíbrio porque não podemos viver acima das nossas possibilidades e vamos ter de arranjar uma maneira de ajustar sem pôr em causa a competitividade e o rendimento desportivo (…) Este défice operacional não dá um sinal de equilíbrio financeiro. Temos de ir mais longe e a prova disso é que no ano anterior, com Champions, não conseguimos ter resultados líquidos positivos. Mas foi um ano de recorde de fluxo de pagamentos na altura – este ano acabou por ser mais alto – com 215 milhões de euros”, referiu.

“Do ponto de vista desportivo, conseguimos manter a espinha dorsal do plantel profissional, reforçar posições que achámos fundamentais e manter o nosso melhor jogador. Se tivéssemos tido esta conversa no início do mercado, pouca gente acharia que o Bruno Fernandes ficaria, a verdade é que ficou e conseguimos manter aquele que será o ativo desportivo mais importante. Houve ajustamentos cirúrgicos no plantel. Percebemos que conseguíamos ter tanto ou mais rendimento desportivo ao retirar esses excedentários, que recebiam muitíssimo bem e estavam desajustados ao mercado, e introduzindo novos jogadores, nomeadamente, da formação e mais ajustados ao que vão jogar ao longo da época”, acrescentou, antes de detalhar os efeitos práticos disso mesmo: “Conseguimos fazer uma redução líquida de custos anuais de 10 milhões de euros, logo em janeiro, que se reflete [no Relatório e Contas do exercício 2018/19] em cerca de cinco milhões de euros no ano”.

“Jorge Mendes? É um parceiro, como é uma quantidade enorme de agentes, porque sempre dissemos que trabalhamos com todos os agentes, mas defendendo os nossos interesses. Por curiosidade, não comprámos nenhum jogador com o Jorge Mendes, só vendemos, e contribuiu nas operações de Rui Patrício, Gelson Martins, Daniel Podence e Thierry Correia”, explicou o responsável pelas contas verde e brancas, antes de abordar também a proposta de vencimentos dos administradores da SAD que será apresentada na próxima Assembleia Geral da sociedade, no próximo dia 1 de outubro.

“Não somos nós que decidimos mas não sou hipócrita. Faz sentido porque temos um estudo de benchmarking que mostra que o agora sugerido é muito abaixo da mediana do mercado e, se formos ver, os administradores dos nossos rivais ganham mais do que nós, e não estou a falar de variáveis. Mas em primeiro lugar, quem decide a política de remunerações é uma comissão acionista e, em segundo, esta Direção prometeu manter os vencimentos da anterior e recebeu menos, porque abdicaram do bolo dos prémios coletivos indexados aos resultados desportivos”, esclareceu Salgado Zenha.

Naming do estádio? Estamos a estudar tudo. Sento-me à mesa com quem quiser falar connosco. Depois a questão é saber se o valor e o parceiro fazem sentido, em termos estratégicos. Se fizerem, o tema é tão relevante que os sócios devem ter uma palavra a dizer e ser consultados. Só levarei algo que acredite que faça sentido, por ligação estratégica e posicionamento da marca. [Valores?] Não tenho nenhum número agora. Mas podem pôr vários zeros à frente, muitos zeros”, concluiu.

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