O processo de impeachent a Donald Trump avança e conheceu nas últimas horas um testemunho que pode vir a ser determinante. O embaixador dos Estados Unidos em Kiev, na Ucrânia, Bill Taylor, foi ouvido no Congresso norte-americano na terça-feira e apontou diretamente o dedo ao presidente dos EUA. O diplomata alega que Trump ameaçou o presidente ucraniano com um corte na ajuda militar caso o Governo daquele país não reabrisse uma investigação ao filho de Joe Biden — ex-vice-presidente de Barack Obama e um dos favoritos nas primárias democratas –, que dirigiu a energética ucraniana Burisma.

As suspeitas de que o presidente do EUA exerceu pressão sobre o Chefe de Estado ucraniano estiveram na origem da abertura do processo de impeachment. Por base, inicialmente, tinham a transcrição de uma conversa telefónica entre os dois líderes, em julho, onde Trump pedia diretamente a Zelensky, que então tinha acabado de ser eleito, para reabrir o processo que tinha investigado Hunter Biden. Não houve qualquer ameaça ou chantagem mas há várias suspeitas de que essa pressão tenha sido levada a cabo por intermediários.

Trump negou sempre que tenha havido pressão e chegou a congratular-se por a transcrição telefónica nada revelar sobre alegadas chantagens. Agora, com as recentíssimas declarações do embaixador Bill Taylor, o argumento do presidente dos Estados Unidos pode estar em xeque. A audição ao diplomata norte-americana aconteceu à porta fechada mas as primeiras informações sobre o que terá dito não tardaram em ser publicadas nos mais diversos meios de comunicação social.

Interrogado pelos congressistas norte-americanos, Bill Taylor, que foi nomeado para o cargo em junho, terá dito que desde cedo estranhou alguns entraves nas relações entre os dois países, segundo avança o The Guardian. “As nossas relações com a Ucrânia estavam a ser prejudicadas, quer por via de um canal informal e irregular coordenado por políticos dos EUA, quer pela retenção de ajuda militar e de securitária. Tudo por razões de política interna“, explicou o diplomata.

Ainda de acordo com as declarações de Taylor, este canal informal seria coordenado por Trump através de vários emissários: o seu advogado pessoal, Rudy Giuliani; o ainda secretário da Energia, Rick Perry; o embaixador dos EUA na União Europeia, Gordon Sondland; e ainda o diplomata norte-americano Kurt Volker.

Fariam todos parte de uma tática que passava por tentar convencer o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, a anunciar a reabertura da investigação aos negócios do filho de Joe Biden à frente da energética Burisma. De acordo com o Politico, o embaixador dos Estados Unidos na UE terá explicado diretamente a Bill Taylor a lógica por trás da estratégia. “Sondland disse-me que Trump é um homem de negócios e que, como tal, de cada vez que está prestes a assinar um cheque a alguém que lhe deve algo pede que essa pessoa lhe pague antes da assinatura do cheque“, afirmou.

Uma conversa que, segundo o relato da audição de Taylor no Congresso feito pelo The Washington Post, terá ido mais longe. “O embaixador Sondland disse-me que o presidente Trump lhe tinha dito que queria que o presidente Volodymyr Zelensky declarasse publicamente que a Ucrânia ia investigar a Burisma“, terá dito aos congressistas.

Sondland terá confirmado a Bill Taylor que o desbloqueio da ajuda militar estava dependente do anúncio da abertura da investigação ao filho de Joe Biden.

A audição de Bill Taylor no Congresso dos Estados Unidos, que durou cerca de dez horas, torna-se assim uma das mais importantes neste processo de impeachment.