A Assembleia do Livre reúne-se no sábado, num encontro que será de “caráter reservado” para, entre outros assuntos, decidir sobre o sentido de voto do partido na votação do Orçamento do Estado. Ao Observador, fonte do partido diz que está “fora de questão” o Livre colocar-se ao lado do PS, PSD Madeira e PAN para fazer passar o documento do Governo e que o cenário mais provável será o da decisão pela abstenção.

Não está, porém, garantido que essa decisão seja seguida pela deputada única do partido, no momento da votação. O assessor de Joacine Katar Moreira, Rafael Esteves Martins, disse ao Observador que a decisão que sair da Assembleia de sábado será apenas indicativa, uma vez que não tem “caráter vinculativo”. “A deputada tem independência, como qualquer eleito do Livre, irá votar em consciência, mas pode sempre decidir o seu sentido de voto desde que, obviamente, não colida com a cultura do partido”, afirmou, esclarecendo que o Livre ainda não foi abordado pelo governo para nenhuma reunião negocial depois da ronda inicial de encontros.

Depois de uma audiência em Belém com Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Mendonça — membro do Grupo de Contacto do partido — explicava que havia grupos de trabalho a fazer a análise minuciosa do documento do governo. É o resultado da análise dos vários grupos que será apresentado aos membros da Assembleia e que servirá para que os elementos decidam o sentido de voto do Livre na votação do Orçamento do Estado, na generalidade, na próxima sexta-feira, que deve tomar a forma de abstenção.

Depois de afirmar que o partido não seria um “obstáculo” à aprovação do OE2020, o Livre deverá mesmo abster-se e apostar na discussão na especialidade para fazer passar algumas das suas bandeiras. A criação de uma taxa para os voos internos em Portugal, como é aplicada em França e apoiada também pela Associação Zero, é uma das bandeiras do partido — que já terá colocado em cima da mesa com o Governo na ronda inicial de negociações — e pela qual o Livre se deverá bater na discussão na especialidade do Orçamento.

Apesar de decidir no sábado, seis dias antes da votação na Assembleia da República, fonte do Livre admite que a Assembleia possa mudar ainda essa indicação no sentido de voto, caso se verifique alguma alteração decorrente de reuniões com outros partidos ou mesmo com o governo (que não estão agendadas). Recorde-se que o Livre tem feito nota a existência de uma maioria de esquerda no Parlamento e apelado a consensos entre os parceiros de bancada mais à esquerda (o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e Os Verdes), que parecem ter feito ouvidos moucos e ainda não se mostraram disponíveis para reunir com o partido.