*Em atualização

Subiu para 56 o número de pessoas que morreram infetadas com coronavírus, na China, depois de registadas 15 novas mortes, todas em Wuhan, confirma o The New York Times. Há cerca de dois mil casos confirmados só na China (há outros casos confirmados em diferentes países). Durante o sábado, 15 novas mortes foram registadas e 688 novas infeções foram identificadas, detalharam as autoridades chinesas. Em Portugal, o primeiro caso suspeito teve análise negativa.

Este domingo, o ministro da Saúde chinês, Ma Xiaowei, avançou mais dados sobre o vírus. Ao que o país apurou, o coronavírus pode propagar-se antes de haver sintomas na pessoa infetada. Como afirmou à CNN William Schaffner, conselheiro da agência para a saúde dos EUA, esta informação “muda tudo”.

Segundo Schaffner, este dado faz com que seja precisa “reavaliar toda a estratégia” para conter-se a doença. Pessoas que nem sequer estão doentes podem estar a propagar o vírus sem o saberem.

A Comissão Nacional de Saúde chinesa afirma que 324 pacientes estão em estado grave. Pelo contrário, 49 pessoas conseguiram superaram a infeção com sucesso e receberam alta hospitalar.

Além da China já foram confirmados três dezenas de casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Austrália e Canadá.

Em França, já vai em três o número de doentes, segundo a ministra da Solidariedade e Saúde francesa, Agnès Buzyn.  Um dos contagiados foi hospitalizado em Bordeús e outros dois em Paris. Todos estes tinham estado na China, segundo detalhou ainda a ministra.

De acordo com o Le Monde, um dos doentes é um homem de 48 anos de origem chinesa que deu entrada no Hospital Universitário de Bordéus, esta quinta-feira, com sintomas de gripe. Segundo o relato do SOS Médecins (o equivalente ao INEM, em Portugal) publicado no Facebook, o homem terá dito que acabava de regressar da Holanda, mas que, anteriormente, tinha estado na China, na província de Wuhan — precisamente onde eclodiu o coronavírus. Sobre o terceiro e mais recente caso, pouco ainda se sabe.

Entretanto, os Estados Unidos detetaram esta sexta-feira o segundo caso de coronavírus, avançou a CNN. Este domingo, o The New York Times confirmou que há um terceiro caso confirmado na Califórnia de um paciente que tinha regressado ao país vindo de Wuhan.

Já este sábado, as autoridades da Malásia anunciaram terem registado os primeiros três casos de pessoas infetadas. Os três casos foram confirmados no estado de Johor, que faz fronteira com Singapura. Os indivíduos infetados são cidadãos chineses e familiares próximos de um homem de 66 anos que já tinha sido infetado com o vírus em Singapura.

A mulher e os seus dois netos foram rastreados e deram positivo, disse o ministro da Saúde da Malásia, Dzulkefly Ahmad. Os três foram transferidos de Johor e estão atualmente em tratamento no hospital Sungai Buloh, no estado de Selangor.

A Austrália também entrou para a lista de países com casos detetados: são já quatro.

As autoridades chineses já encerraram 13 cidades, de onde não podem sair nem entrar pessoas. Neste momento já há registo de casos em 29 das 31 províncias da China, segundo autoridades de saúde citadas pela agência de notícias oficial Xinhua.

A atualização do número de casos relacionados com o surto de um novo tipo de vírus acontece poucas horas depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter decidido não declarar a doença como uma emergência de saúde pública internacional. A maior parte de vítimas do novo vírus está a ser detetada em Wuhan, a cidade onde o surto eclodiu.

Nos Estados Unidos, um dos casos é de uma mulher de 60 anos, que mora em Chicago e que viajou até Wuhan no final de dezembro — tendo regressado no passado dia 13 de janeiro. De acordo com a CNN, a mulher encontra-se estável, mas permanece em quarentena num hospital da cidade. O outro caso, conhecido já na quarta-feira, é o de um homem de 30 anos que vive em Seattle.

Outro caso do coronavírus fora da China diz respeito a um jovem nepalês que se encontra a estudar na China. O estudante regressou de Wuhan, onde contraiu o vírus, ao seu país natal — registando o primeiro caso desta nova estirpe no Nepal.

Esta quinta-feira foi noticiado pelo The Guardian que, no Reino Unido, haveria cinco possíveis casos de doentes infetados com o vírus. Este sábado foram conhecidos os resultados do teste: negativo. “A Escócia está bem preparada para este tipos de surtos – temos um histórico comprovado de como lidar com problemas de saúde desafiantes e o Reino Unido foi um dos primeiros países do mundo a desenvolver um teste para o novo vírus”, disse ao mesmo jornal Catherine Calderwood, responsável para a saúde do governo escocês.

Em Portugal, houve três suspeitas— mas todas foram descartadas

A Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, disse na manhã de sexta-feira aos jornalistas que a linha SNS24 (808242424) já recebeu três chamadas de utentes portugueses que vieram da China, com sintomas suspeitos de serem o coronavírus. Segundo a TVI, o mais recente contacto telefónico foi “na última noite”.

“Já tivemos três chamadas, três casos possíveis — um deles esta noite — de pessoas que tinham preocupação perante sintomas e vinda da China”, disse.

No entanto, esses casos não passaram de suspeitas e não foram, por isso, validados como o vírus que teve origem na China após passarem pelo “crivo médico” . “Se o risco escalar, teremos de escalar as medidas”, assumiu.

Ete sábado, houve também a informação que um estrangeiro que tinha estado em Wuhan poderia ser o primeiro caso em Portugal. Os resultados do teste foram feitos em poucas horas e, esta manhã, foi confirmado pela DGS que o resultado era negativo.

Primeira morte fora da província de Hubei

Entre as vítimas mortais reportadas na última atualização da comissão está um homem com 80 anos que sucumbiu ao vírus em Hubei, não muito longe da capital chinesa Pequim, na quarta-feira. Foi a primeira morte reportada na China fora da província de Hubei. Apesar de ter dito que era “demasiado cedo” para falar de uma emergência internacional, a OMS insistiu que “esta é uma emergência na China”.

A organização também já admitiu que o vírus tem uma capacidade de dispersão maior do que se julgou quando o surto arrancou. Embora não tenha tanta capacidade de se espalhar como o vírus que provoca a gripe, por exemplo, é mais fácil que passe de pessoa para pessoa do que os especialistas tinham declarado ao início. Há pessoas que ficaram infetadas apesar de não terem entrado em contacto com animais portadores do vírus, nem sequer com pessoas que tenham convivido com animais doentes.

Em Pequim, uma bebé de nove meses também contraiu o vírus, segundo as autoridades de saúde municipais. Trata-se do doente mais novo a ser identificado até ao momento.

A dispersão do vírus pode aumentar nos próximos dias porque milhões de pessoas estão a viajar dentro da China e daí para outros países no âmbito das celebrações do Ano Novo que inaugura o calendário lunar. As festividades começaram no sábado. Para conter o problema, o governo colocou os 11 milhões de residentes em Wuhan de quarentena e suspendeu a circulação de transportes para dentro e para fora da cidade. A circulação de veículos não essenciais está proibida desde as 00h00 de sábado em Wuhan.

Todos os viajantes que sejam identificados com sintomas de pneumonia serão “imediatamente transportados” para um centro médico, anunciou a CNS em comunicado citada pela agência de notícias francesa France Press.

Além disso, a China tem enviado mensagens aos cidadãos pedindo-lhes que permaneçam em casa o mais que puderem e que façam deslocações à rua apenas quando for estritamente necessário. Nesses casos, é aconselhável a utilização de máscaras que tapem o nariz e a boca; e desinfetantes para as mãos. Os sintomas deste vírus incluem febre, dor, mal-estar e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar.

Hong Kong proíbe entrada de visitantes de Wuhan

O governo de Hong Kong está a proibir os residentes de Wuhan e pessoas que visitaram a província nos últimos 14 dias de entrarem no território, segundo um comunicado divulgado pelo governo. Excluídos desta proibição ficam os residentes de Hong Kong.

Já o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) anunciou este domingo que desde sexta-feira foram comunicados 1.129 novos casos de infeção e 30 novas mortes por coronavírus e que são esperados mais casos e mortes.

Num novo balanço divulgado este domingo, o ECDC refere que “o rápido aumento do número de casos notificados pode ser parcialmente atribuído à melhoria dos protocolos de testes e investigações epidemiológicas das autoridades chinesas”.

A organização indica que, como a fonte original permanece desconhecida e a transmissão entre humanos foi documentada, “são esperados mais casos e mortes”.

São igualmente esperados outros casos entre os viajantes da província de Hubei, na China.

O ECDC recomendou às autoridades de saúde dos Estados-Membros da UE/EEE que permaneçam vigilantes e para reforçarem a sua capacidade de resposta a um evento deste tipo.

“O impacto da deteção tardia de um caso importado num país da UE/EEE sem a aplicação de medidas adequadas de prevenção e controlo de infeções seria elevado, uma vez que aumentaria o risco de transmissão adicional na comunidade”, prossegue a organização europeia.