*Em atualização

A Direção-Geral da Saúde (DGS) informou que o primeiro caso de suspeita do coronavírus em Portugal, com um paciente sob observação no Hospital de Curry Cabral, em Lisboa, teve resultado negativo depois de feitas as análises. Segundo a DGS, o doente, regressou no sábado da China, onde esteve na cidade de Wuhan (província de Hubei) nos últimos dias.

O vírus já provocou a morte a 56 pessoas e há cerca de dois mil casos confirmados só na China (há outros casos confirmados em diferentes países). Durante o sábado, 15 novas mortes foram registadas e 688 novas infeções foram identificadas, detalharam as autoridades chinesas. A Comissão Nacional de Saúde chinesa apontou ainda que 324 pacientes estão em estado grave. Pelo contrário, 49 pessoas conseguiram superaram a infeção com sucesso e receberam alta hospitalar.

Este é o comunicado enviado pela DGS, referente ao resultado negativo das análises feitas ao paciente suspeito de contágio:

A Direção-Geral da Saúde (DGS) informa que o primeiro caso suspeito de infeção por novo Coronavírus (2019-nCoV) em Portugal foi negativo após realização de análises laboratoriais pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), com duas amostras biológicas negativas.

Já foi publicada no site da DGS uma orientação sobre o novo Coronavírus (2019-nCoV), com os procedimentos a adotar pelos profissionais em caso de suspeita ou confirmação de caso de infeção, tendo ainda sido produzidos materiais informativos — cartazes e folhetos — para divulgação nos aeroportos, portos e unidades de saúde.

Estes materiais informativos foram afixados no Aeroporto de Lisboa e divulgados através das autoridades de saúde regionais e parceiros da DGS noutros pontos de Portugal Continental, Madeira e Açores, além das plataformas de divulgação da DGS.

A DGS mantém-se atenta e a acompanhar a situação, em articulação permanente com instituições/organizações nacionais e internacionais para adoção de medidas a nível nacional e em consonância com as recomendações que forem sendo emitidas pela Organização Mundial da Saúde e pelo European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).

Apesar do resultado negativo, a diretora-geral de Saúde lembrou, em declarações à TSF, que “o facto de uma pessoa ter dado negativa não nos deixa mais ou menos descansados”. Reforçou que a deteção precoce é a forma mais eficaz de controlar a propagação do vírus e que para isso as triagens são fundamentais — tal como as medidas que estão a ser tomadas, disse Graça Freitas, em relação à entrada de animais vivos em Portugal, através da Direção Geral de Veterinária.

Além da China continental, foram confirmados três dezenas de casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Austrália e Canadá.

Esta sexta-feira, ao Observador, foi confirmado que os três hospitais preparados para receber doentes (Hospitais Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, e o Hospital de S. João, no Porto) podem receber pessoas contagiadas e têm ordens para isolar os casos suspeitos de infeção até serem conhecidos os resultados das análises. O procedimento é habitual em casos de infeções contagiosas com graus de disseminação elevados.

“Logo na urgência, serão encaminhados para uma sala de isolamento e, caso se venha a confirmar que são suspeitos, serão encaminhados para uma área do internamento específica”, garante o especialista em infecciologia e medicina intensiva”, explicou ao Observador Carlos Lima Alves, coordenador da unidade de prevenção e controlo de infeção do Hospital de S. João, no Porto. As amostras dos resultados são enviadas para o Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, para serem analisadas.

À SIC Notícias, o diretor do Serviço de Infeciologia do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez confirmou que “de facto há um caso suspeito internado. O doente está neste momento a ser avaliado clinicamente, está estável e estão a ser feitas as recolhas necessárias”. Esclareceu também que o paciente gerou suspeitas de um possível contágio com o coronavírus devido ao “quadro respiratório, mas fundamentalmente resulta de ter vindo do epicentro da epidemia”. “Todos estes casos que são suspeitos a primeira medida a tomar é isolá-los de modo a prevenir que haja contágio”, adiantou. De acordo com Fernando Maltez, o paciente internado “não é de nacionalidade portuguesa mas residente em Portugal há muito tempo”.

Se o contágio tivesse sido positivo, identificar os contactos dos últimos 14 dias, familiares, pessoas com quem viajou, depois de ser traçado o trajeto do paciente, teria sido uma das prioridades.

A Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, disse na manhã desta sexta-feira que a linha SNS24 (808 24 24 24) já recebeu três chamadas de utentes portugueses que vieram da China, com sintomas suspeitos de serem o coronavírus. No entanto, esses casos não passaram de suspeitas e não foram, por isso, validados como o vírus que teve origem na China após passarem pelo “crivo médico” . “Se o risco escalar, teremos de escalar as medidas”, assumiu.

Os sintomas do 2019-nCoV, o vírus que veio das cobras que o receberam de morcegos

Atualmente, a teoria que está a ser noticiada sobre a origem do coronavírus, ou 2019-nCoV (nome técnico), é que terá tido origem em morcegos que, por sua vez, infetaram as cobras. Depois, as cobras o transmitiram aos humanos por via aérea, isto segundo um estudo da Universidade da China.

Os primeiros sintomas são dores de cabeça e enxaquecas, nariz entupido, tosse, dores de garganta e dores musculares, podendo, por isso, ser confundido com uma constipação. Depois, a doença evoluiu para febres acima dos 38ºC e dificuldades em respirar que podem evoluir para uma pneumonia. Nos casos mortais, as vítimas, tinham entrado em septicémia. Até agora, parece que o vírus infetou principalmente homens acima dos 60 anos e que sofrem de problemas crónicos.

O coronavírus é muito semelhante ao 2003 SARS, um vírus que provocou um surto em 2002, infetou oito mil pessoas e matou 800.

Esta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu não declarar uma emergência de saúde pública internacional. “Não se enganem. Esta é uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência de saúde global”, disse a entidade.

A OMS deixou ainda várias recomendações para prevenção da doença: “lavar as mãos com sabão e água ou um sabonete à base de álcool”; “cobrir o nariz e a boca ao tossir e espirrar com um lenço ou com o cotovelo dobrado”; “não estar em contacto com ninguém com sintomas de constipação ou gripe”; “cozinhar bastante bem carnes e ovos”; e “evitar contacto não protegido com animais de quinta ou selvagens”.

Wuhan, a cidade que está de quarentena e onde apareceu o possível paciente zero

Esta semana, o governo chinês enviou uma mensagem aos 11 milhões de habitantes a pedir que se mantenham em casa o mais possível e que sigam as regras das autoridades, nomeadamente o uso de máscaras. Antes, a China já tinha suspenso todos os voos e comboios de e para Wuhan na esperança de travar o avanço da doença.

O paciente-zero (a pessoa que se acredita poder ter sido o primeiro contaminado) chamava-se Zeng e tinha 61 anos quando morreu, a 9 de janeiro deste ano. Tinha dado entrada pela primeira vez num hospital em Wuhan a 26 de dezembro com queixas de tosse forte que já se prolongavam havia uma semana. A partir desse dia, a saúde de Zeng piorou vertiginosamente, conta o The New York Times. A 27 de dezembro foi transferido para os cuidados intensivos, três dias depois foi ligado a um ventilador e logo a seguir foi levado para outro hospital porque precisava de uma máquina que lhe oxigenasse o sangue. Não resultou e morreu.

Coronavírus já matou 56 pessoas. DGS reforça recomendações

Até ao momento, confirmam-se 56 mortes, vítimas de contágio pelo coronavírus, além de cerca de 2000 pessoas contaminadas, só na China, o mesmo país onde foram confirmadas todas as mortes. Todos os casos reportados externos à China referem história recente de viagem a Wuhan.

Apesar do caso em análise em Portugal, a DGS indica que “a probabilidade de transmissão secundária na Europa é baixa, desde que sejam cumpridas as práticas de prevenção e controlo de infeção relacionadas com um eventual caso importado”. Contudo, reforça as recomendações previamente comunicadas para os viajantes na China:

  • Evitar contacto próximo com pessoas que com sinais de sintomas de infeções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes;
  • Evitar contacto com animais;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • No regresso da viagem, os viajantes regressados de Wuhan que apresentarem febre, tosse e eventual dificuldade respiratória, deverão, antes de procurarem os serviços de saúde, ligar par o SNS24 — 808 24 24 24 — que está preparado para orientar e esclarecer o viajante e a população.