Talvez tenha recebido durante esta sexta-feira o convite de um ou vários amigos que tem na rede social Facebook para aderir a grupos relacionados com a Covid-19. Há alguns que apelam ao “isolamento voluntário” e outros que aparentemente serviriam para difundir informações sobre a situação em Portugal. O problema? É que além da informação que disponibilizam vinda de fontes fidedignas, estes grupos também estão recheados de publicações com informações falsas e alarmistas.

Um dos exemplos está numa publicação feita nesta sexta-feira no grupo “Isolamento Voluntário Covid 19”. O post partilha o boletim epidemiológico que a Direção-Geral de Saúde está a atualizar diariamente e que divulga os números de casos positivos, em análise e a serem vigiados pelas autoridades. Uma publicação bastante útil para todos os que não estão a seguir a página oficial criada pelo ministério da Saúde, onde a informação tem vindo a ser atualizada. O problema está no tipo de informação que é partilhada na caixa de comentários.

Publicação no grupo Isolamento Voluntário COVID 19

Estando a rede social aberta à interação e aos comentários dos membros do grupo, têm-se gerado extensos debates entre utilizadores nas caixas de comentários de cada publicação. E é nessas trocas de comentários que há quem garanta que há “hospitais contaminados” e com “pisos encerrados”, com médicos que “meteram já atestado por prevenção”, informação que não é confirmada pelas autoridades.

Comentário no grupo de Facebook “Isolamento Voluntário COVID 19” sobre hospital Curry Cabral

Contactada pelo Observador, fonte oficial do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) — onde se insere a unidade hospitalar do Curry Cabral — desmente toda a informação veiculada pelo comentário feito pelo utilizador neste Facebook.

O hospital já tinha anunciado na quinta-feira o teste positivo para Covid-19 num dos funcionários da farmácia, que motivou a dispensa de cerca de 30 profissionais, enviados para casa para cumprir quarentena. “O espaço está a ser descontaminado e abrirá no início da próxima semana”, reforça ao Observador fonte oficial do CHLC acrescentando ainda que todos os profissionais estão a dar o seu melhor, “naturalmente sobrecarregados”.

Há também alguns comentários que insistem na ideia de haver mortes em Portugal que foram causadas pelo novo coronavírus, mesmo depois de a Direção-Geral de Saúde ter desmentido.

Comentário de utilizador no grupo de Facebook Isolamento Voluntário COVID 19

No comentário, a utilizadora dá conta de “pelo menos cinco mortes em Portugal”. Já no dia 11 de março, a página “Covid19 – Portugal”, um grupo não oficial que conta com mais de 1.500 seguidores, tinha afirmado que havia um morto por Covid-19 no Hospital Curry Cabral, apesar de poucas horas antes, a Direção-Geral de Saúde se ter visto na obrigação de emitir um comunicado a desmentir dois ficheiros de áudio que estavam a circular através de WhatsApp. Estes ficheiros davam conta da “morte de duas pessoas”. Nesse dia, a DGS afirmou que até às 16 horas de quinta-feira não havia “qualquer morte causada pelo novo coronavírus”, o que se manteve de acordo com a atualização feita na manhã desta sexta-feira no boletim epidemiológico.

Já às 17 horas desta sexta-feira, a DGS voltou a confirmar ao Observador que não havia registo de mortes causadas pelo novo coronavírus em Portugal. Já havia pelo menos um outro utilizador no Facebook a partilhar o mesmo tipo de informação. Só o post do grupo “Covid19 – Portugal” tinha sido partilhado 34 vezes e sido visto cerca de 30 mil vezes.

As redes sociais são um espaço de partilha, mas a informação oficial terá sempre de ser veiculada e confirmada pelas autoridades competentes, neste caso, pela Direção-Geral de Saúde, que emite boletim diários informativos e faz conferências de imprensa para responder às dúvidas dos jornalistas. Sempre que deparar com uma publicação feita no Facebook sobre o Covid-19, verifique se esta é coerente com a informação oficial e com o que está a ser noticiado pelos órgãos de comunicação social de referência.

O Observador tem uma parceria de fact-checking com o Facebook com o objetivo de evitar a desinformação e minimizar a propagação de notícias falsas. Durante o surto de coronavírus, vai tentar acompanhar este tipo de relatos e há mais jornais portugueses a apostar no mesmo tipo de verificação de factos. Numa altura de isolamento social, as redes sociais podem ter um papel importante, mas não substituem as fontes credíveis de informação.