O receio de contrair a Covid-19 tem levado a venda de automóveis a cair, pois os clientes evitam as idas aos concessionários (os que se mantêm abertos) temendo o contágio do coronavírus. Na China, país onde o surto teve origem antes de atingir uma escala mundial, a transacção de novas viaturas recuou a níveis de 2005, registando no mês passado uma queda de 79%.

Embora a associação local de fabricantes de automóveis estime que a queda das vendas não deva ir além dos 5% no acumulado do ano, partindo do pressuposto que o novo vírus é contido até Abril,  há quem não se fie em previsões e, ao invés de lamentar a situação, procure adaptar-se minimizando os prejuízos. É o caso Geely, marca que surgiu em 1986 e que hoje dá nome a um conglomerado com mais de 120 mil funcionários em todo o mundo, o Zhejiang Geely Holding Group.

Fundada por Li Shufu – o homem por detrás da compra e da revitalização da Volvo (2010) e que é hoje o maior accionista da Daimler (Mercedes) -, a Geely tem a particularidade de ser dos poucos construtores de automóveis da China que não são controlados pelo Governo. E talvez isso tenha levado a marca a descolar uma solução que nenhum outro fabricante local sequer ensaiou para contrariar o “arrefecimento” da procura.

Num mercado que caiu 79% em Fevereiro, as vendas da Geeely baixaram 75% face a igual mês de 2019. De acordo com o jornal Shropshire Star, a marca comercializou apenas 21.168 carros no mês passado, sendo que nos dois primeiros meses do ano contabiliza uma queda de cerca de 45, em comparação com o período homólogo do ano anterior. Em reacção a estes números, o construtor chinês virou-se para as vendas online, na China, e tratou de garantir que o carro novo chega a casa do cliente sem qualquer contacto.

Depois de confirmada a compra através do site da marca, o fabricante faz chegar a ordem ao concessionário local e este passa a ser o responsável pela entrega do veículo na casa do cliente. Algo que não acontece sem antes, à porta do proprietário, a viatura ser submetida à devida desinfecção, para anular o risco de contágio associado ao coronavírus. Mas… e as chaves? Essas chegam por drone, dentro de uma bolsa que é entregue à porta (ou varanda) do cliente. Assim: limpinho!

A título de curiosidade, o homem que fundou a Geely confessou em tempos à Forbes (2014) que construiu os primeiros carros na areia quando era pequeno, porque a família “não tinha dinheiro para comprar brinquedos”. Hoje justifica o facto de ser multimilionário com a capacidade de manter a Geely na crista da onda, adaptando a marca aos novos requisitos do mercado e às preocupações dos consumidores.