A Huawei apresentou nesta quinta-feira os smartphones P40, P40 Pro e P40 Pro+ com os quais quer concorrer com os S20, da Samsung, e os iPhone 11, da Apple. Em plena crise de coronavírus, a empresa chinesa continua impedida de utilizar muitos dos serviços da Google nos telemóveis, mas isso não evitou que apresentasse novos produtos que concorressem com os desta empresa e outras. Entre as novidades está a “Celia”, um assistente digital para concorrer com a Siri (Apple) e a Alexa (Amazon), e o MeeTime, para concorrer com as videochamadas do Skype.

É bom ver-vos em todo o mundo virtualmente. Mudámos o nosso evento para ser online e espero que todos estejam a manter-se seguros e saudáveis”, disse Richard Yu no início da conferência.

O evento era para decorrer fisicamente em Paris, mas foi transmitido apenas online devido à pandemia da Covid-19. Richard Yu, presidente executivo da Huawei Consumer Group, teve uma pequena audiência (não visível) presente que aplaudia as novidades ao longo da hora de apresentação. Mesmo assim, para quem já acompanhava estes eventos apenas pela internet, pareceu ser uma apresentação muito semelhante a tantas outras. Houve novos produtos com foco na fotografia e novidades na aposta da Huawei em software próprio.

Nesta conferência, a empresa mostrou que o facto de estar impedida de utilizar serviços da Google é cada vez menos um elefante na sala. Devido ao embargo imposto pelos EUA, em maio de 2019, a empresa está impedida de utilizar serviços da Google Mobile Services nos mais recentes aparelhos que lança. Isto significa que utiliza apenas a versão base do sistema operativo móvel Android com alterações feitas pela marca. Contudo, não tem apps como o Google Maps ou a loja de download de aplicações desta empresa norte-americana. Por causa disso: “Lançámos o Huawei HMS (Huawei Mobile Services”, referiu Richard Yu.

Nos últimos 10 anos, fomos parceiros da Google e trabalhámos com a GMS (Google Mobile Services). Trouxemos grandes receitas e lucros para empresas dos EUA e temos uma boa cooperação e parcerias, mas por causa do embargo dos EUA, no ano passado, não podemos utilizar o GMS da Google. Então, lançámos o Huawei HMS como uma solução alternativa. Queremos continuar a cooperar com a Google para ajudar a trazer os melhores serviços para o consumidor global, mesmo que isso signifique termos de oferecer uma solução alternativa, uma solução melhor, o Huawei Mobile Services e a Huawei App Gallery”, disse Richard Yu.

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Ao longo da conferência, o presidente executivo da empresa chinesa foi mostrando, além de novos produtos, esta aposta em novas apps e em software que a Huawei tem feito. De acordo com o responsável da marca, o HMS já está disponível em 170 países e chegam a 400 milhões de utilizadores. A apresentação da Celia e do MeeTime (já lá vamos) foram prova disso, mas o principal foco deste evento foi a gama P40.

A gama P40 quer ser líder na fotografia

A gama P40

Não têm apps Google, e não é recomendável instála-las, segundo a empresa norte-americana, mas os novos P40 querem ter características para fazer frente à concorrência à Apple e Samsung. À semelhança da concorrência, a Huawei aposta em modelos com capacidades 5G, processamento com inteligência artificial renovados para os topos de gama e ecrãs de alta definição. Além destas novidades, o foco das apresentação foi mostrar que esta nova gama tem câmaras fotográficas melhoradas, que chegam a ter câmaras frontais com capacidade de filme 4K.

[A conferência da Huawei foi transmitida em direto pelo YouTube]

O modelo P40 tem um ecrã OLED de alta definição de 6,1 polegadas e os P40 Pro de 6,58. Todos os modelos têm reconhecimento facial, sensor de impressão digitais embutidos no visor frontal e uma câmara para selfies com capacidade para imagens 4K. Quanto às câmaras traseiras, o modelo P40 utiliza uma tripla câmara Leica com uma lente para imagens de grande angular de 50 megapíxeis, o P40 Pro utiliza um sistema de quatro câmaras também da Leica que sobe para cinco lente no P40 Pro+.

Os novos equipamentos utilizam todos os processadores Kirin 990 5G apresentados com o Huawei Mate 30, o primeiro smartphone da marca que foi lançado sem o Google Mobile Services. Os três telemóveis têm capacidade de bateria para mais de um dia de utilização, 8GB de memória RAM nas versões de entrada e utilizam o EMUI 10.1, a versão alterada da Huawei do sistema Android base. Os aparelhos P40, P40 Pro e P40+ têm um preço recomendado de 829,99 euros, 1.049,99 euros e 1.399 euros, respetivamente, e vão chegar ao mercado a 7 de abril.

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Um assistente digital para concorrer com a Google e um serviço de subscrição de música para concorrer com o Spotify

Na mesma conferência, a Huawei apresentou também a Celia, um assistente digital próprio da marca que funciona de forma igual ao assistente digital da Google, à Siri, da Apple, à Cortana, da Microsoft, e à Alexa, da Amazon. Para o ativar basta dizer “Hey Celia”, dizer o que se pretende e o assistente digital permite controlar pela voz outros dispositivos, como lâmpadas inteligentes, acionar alarmes ou adicionar lembretes. A Huawei não revelou uma data de lançamento para este serviço que deverá funcionar apenas com equipamentos da marca.

Todos os produtos apresentados esta quinta-feira pela Huawei

Numa época em que as videochamadas são a melhor ferramenta para manter um distanciamento social em segurança, a Huawei apresentou o MeeTime, uma app para videochamadas em conferência da empresa com capacidade de vídeo até 4k que já estava disponível na China.

À semelhança de outros eventos, a Huawei aproveitou esta conferência para apresentar outros produtos, como uma coluna Bluetooth e novas versões dos relógios e óculos inteligentes da marca (os óculos têm colunas e um assistente virtual embutido).

Antes desta apresentação, a Huawei tinha revelado que ia expandir o Huawei Music, um serviço de subscrição de música semelhante ao Spotify e ao Apple Music que funciona apenas com aparelhos da empresa chinesa. Para quem os utiliza, este serviço é gratuito até 26 de abril.