O responsável da Autoridade de Saúde Regional dos Açores, Tiago Lopes, denunciou este sábado que há pessoas a “exigir” ligações aéreas nos Açores, entretanto suspensas, devido à pandemia de covid -19, para “irem de férias”.

Questionado sobre os casos de pessoas em vigilância ativa, que entretanto terminaram este processo e que estão fora da sua residência, Tiago Lopes, que falava no ‘briefing’ diário sobre a pandemia da covid-19, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, declarou que, nestes casos, está-se a “proceder a algumas deslocações para as ilhas de residência”.

Tiago Lopes adiantou que as pessoas perceberam, numa primeira fase, a decisão do Governo Regional de suspender as ligações aéreas e marítimas na região, como algo “essencial e necessário, e contiveram-se”.

Mas, face a “algumas exceções, em que se autorizou algumas deslocações”, devidamente fundamentadas, começou-se a “solicitar e a exigir o seu regresso ao domicílio, ou pior ainda, com todo o desplante, para irem para férias”, declarou.

A Autoridade de Saúde Regional dos Açores alerta que “as coisas ainda não voltaram ao normal, nem vão voltar dentro de pouco tempo”, sendo as restrições que estão em vigor “para cumprir”.

Tiago Lopes afirma que o processo administrativo está “assoberbado com o volume de trabalho” de análise de pedidos, porque existem “poucas dezenas de pedidos de deslocação por razões médicas, compreensíveis”, em contraste com uma “série de pedidos para se deslocarem de férias”.

A Autoridade de Saúde Regional dos Açores registou hoje mais dois de covid-19, elevando-se para 27 os casos positivos registados no arquipélago.

Um dos casos registados foi na ilha de São Miguel, a mais populosa dos Açores, tratando-se de uma mulher, de 37 anos, que fez uma deslocação recente ao exterior da região.

O outro caso, registado na Terceira, a segunda mais populosa, é também de uma mulher, de 35 anos, que não tem relação com os casos detetados anteriormente naquela ilha.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 100 mortes, mais 24 do que na véspera (+31,5%), e registaram-se 5.170 casos de infeções confirmadas, mais 902 casos em relação a sexta-feira (+21,1%).

Dos infetados, 418 estão internados, 89 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.