A associação nacional de restaurantes PRO.VAR e o grupo Sonae, que gere vários centros comerciais, decidiram criar um grupo de trabalho para acompanhar a situação no setor, de acordo com um comunicado esta sexta-feira divulgado.

Esta decisão foi tomada numa reunião entre a PRO.VAR (PROmover & inoVAR) e a administração da Sonae Sierra, “o maior senhorio em Portugal, com o objetivo de encontrar soluções que permitam defender os espaços de restauração nos mais de 30 centros comerciais que gerem no continente e ilhas“, lê-se na mesma nota.

Nesse encontro, a entidade “manifestou o seu descontentamento pelo facto de esta empresa, que é líder de mercado na gestão de centros comerciais, não ter acompanhado o exemplo” de outras do ramo, “que optaram por isentar o pagamento de rendas, aplicando descontos futuros, para os próximos meses”.

A associação reconhece que este é um “problema acrescido pelo facto de este tipo de decisões não dependerem em exclusivo da Sonae Sierra, pois está muito condicionada pelo facto de estar muito exposta a grandes fundos de investimento estrangeiros”.

Ainda assim, a PRO.VAR “apresentou algumas propostas alternativas, que passam por soluções inovadoras e construtivas, que por um lado protejam os espaços comerciais e por outro lado vão no sentido de promover e inovar os centros, aplicando-se estratégias que tenham a ver com economia circular, redução do horário de funcionamento e apoios específicos aos lojistas”.

O grupo de trabalho ficará assim incumbido de acompanhar a evolução da situação para ser possível “avaliar de forma mais célere o impacto económico e responder às necessidades, com ideias e propostas ajustadas aos estabelecimentos de restauração, sem prejuízo de cada lojista fazer a sua negociação individual, podendo estes recorrer à associação para partilha das suas preocupações”, de acordo com a mesma nota.

A associação acredita numa “solução de renda variável, para todos os espaços de restauração, seja em espaço de shopping ou de rua, com a obrigatoriedade de comunicação diária da faturação aos senhorios, a exemplo do que já acontece nos centros comerciais”, tendo em conta a imprevisibilidade da situação atual.

“Percebe-se, que à data de hoje, a retoma será lenta, as quebras de faturação são, em média, na ordem dos 80%, não há modelo de negócio que possa resistir por muito tempo a esta realidade”, alertou a entidade, sublinhando que “os contratos de arrendamento, não prevendo este cenário, não acautelaram, com cláusulas específicas, os interesses das partes” e que, por isso, terá de ser criada legislação nesse sentido.

“Para agravar o problema, a maioria dos senhorios não encontraram soluções justas para responder ao encerramento forçado dos estabelecimentos de restauração e pretendem manter as rendas que nada têm a ver com a atual conjuntura económica, aproveitando-se de posições de vantagem, quer seja por garantias prestadas e ou obras estruturais e beneficiação nos espaços em causa e que não poderão ser deslocadas para outros espaços”, lamentou o organismo.