As crianças portuguesas começaram a ler mais durante o período de confinamento. É este a conclusão de um estudo promovido pela Leya Educação e pelo Clube de Leytura (de subscrição de livros infantis) junto de 2.483 encarregados de educação com o objetivo de perceber de que modo é que a pandemia da Covid-19 alterou os hábitos de leitura dos mais jovens e se os livros desempenharam um papel importante no contexto do confinamento.

Dos 2.483 inquéritos realizados através do Google Formulários, 92,6% referem-se a crianças com mais de 6 anos e 7,4% a crianças dos 0 aos 6 anos. Do total, 2.084 questionários foram respondidos por pais cujos filhos são autónomos na leitura (84%) e 397 por encarregados de educação cujos filhos não o são (16%). No estudo incluem-se representados todos os distritos e regiões autónomas do país, mas a maioria das famílias inquiridas reside nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.

Relativamente aos pais cujos os filhos já leem sozinhos, mais de metade (61%) admitiu que a leitura se tornou mais frequente desde o início do confinamento, no mês de março, apesar de 37,6% das crianças terem já o hábito de ler pelo menos duas a três vezes por semana. A grande maioria (80,6%) disse ainda que considera que a leitura ajudou os mais pequenos a esquecerem-se da pandemia. Os livros de aventura foram os preferidos (33,3%), seguidos de livros com atividades (28,1%) e fantasia (19%).

Entre os pais cujos filhos não são autónomos na leitura, 59% afirmaram que leem agora mais regularmente do que antes da confinamento, embora a grande maioria já o fizesse antes do surgimento da pandemia (83,9%). Mais de metade (55%) admitiu que isso se deve ao facto de agora terem mais disponibilidade para acompanharem os mais novos na leitura. Os livros de fantasia (27,7%) foram os mais populares entre estes encarregados de educação, seguidos dos livros com atividades (23%) e de aventura e suspense (11,6%).