O rapper norte-americano Kanye West, casado com a socialite Kim Kardashian, tornou-se a vedeta mais recente na corrida à Casa Branca depois de lançar oficialmente a sua campanha na noite deste domingo. Contudo, e à semelhança do que o polémico cantor tem habituado o seu público, foi um momento “caótico”, como descreve o The Guardian.

Vestido com um colete à prova de bala por cima da roupa, o norte-americano teve momentos bastante emotivos em Charleston (Carolina do Norte), onde decorreu este rally político, como dizem os norte-americanos. Kanye recusou-se a usar um microfone e falou sobre teologia, o problema dos sem-abrigo, o poder das grandes empresas e chegou a discutir com uma das pessoas na plateia sobre o aborto.

Com o número 2020 rapado no cabelo, West não quis passar despercebido e apontou o dedo aos jornalistas presente: “Eles vão fazer isso, vão-vos dizer que sou louco. O mundo está louco!”, disse. No início ainda teve dificuldades para fazer calar as centenas de pessoas que ali foram para o ouvir, mas referiu: “[no futuro] Estaremos em salas onde a acústica será incrível, porque estarei envolvido no design“.

Kanye West rejeita apoio a Trump e revela que teve Covid-19 em fevereiro

Ao longo do discurso, o rapper referiu várias vezes os contratos que tem com a Adidas, a fé que tem em Deus e o racismo nos EUA. Contudo, fez uma afirmação que já lhe valeu críticas: Kanye West disse que Harriet Tubman, uma mulher que foi escrava e que libertou e ajudou vários escravos negros a escaparem no século XIX. “Ela apenas mandou os escravos trabalharem para outras pessoas brancas”, referiu.

Porém, esta não foi o único momento peculiar do discurso de West. Num momento, descreveu uma história sobre como a intervenção de Deus o ajudou a si e a Kim Kardashian a não abortarem. “Eu estava a ter o estilo de vida de um rapper. Eu estava sentado em Paris, e estava com minhas calças de couro… e tinha o meu portátil e estava com todas as minhas ideias criativas … E a tela ficou preta e branca e Deus disse: Se você f**** com a minha visão, eu vou f**** com a sua”.

“Liguei à minha a mulher e ela disse: nós vamos ter o bebé. Eu disse que teríamos esse filho … Então, mesmo que a minha mulher se divorciasse de mim depois desse discurso, ela trouxe North [a filha mais velha] para o mundo quando eu não queria. Ela levantou-se e protegeu aquela criança”.

Este momento tornou-se ainda mais emotivo e West começou a chorar e falou do pai que terá feito o mesmo. “A minha mãe salvou a minha vida. O meu pai queria abortar-me. Minha mãe salvou a minha vida. Não haveria Kanye West porque o meu pai estava muito ocupado”, disse. A chorar e aos berros, disse: “Eu quase que matei a minha filha! Eu quase que matei a minha filha!”.

De seguida, o rapper chamou ao palco um ativista pela possibilidade de as mulheres poderem interromper a gravidez. “Porque que é que alguém faria a escolha de fazer um aborto”, questionou Kanye West. E fez outra afirmação controversa: “A minha posição não é tornar o aborto ilegal. Deve sempre ser legal. Mas deve haver uma opção de aumento máximo disponível … O aumento máximo seria: toda a gente que tenha um bebé ganha um milhão de dólares”, disse.

Num discurso com um tom de voz elevado, Kanye West voltou a falar da intervenção de Deus na Terra de forma peculiar. “Às vezes, as pessoas são controladas por demónios, às vezes as pessoas são controladas pelo ambiente em que estamos, mas somos todos pessoas de Deus, não há pessoas más. Há pessoas perdidas, mas somos todos pessoas de Deus”.