Se um português tivesse estado na pele de Charles Michel não haveria um “sofagate” na Turquia, sugere o ministro dos Negócios Estrangeiros em entrevista à agência de notícias EFE. Um episódio que Augusto Santos Silva entende ser “lamentável” e que “pode e deve ser ultrapassado”.

O caso tem feito correr muita tinta. Num encontro com o presidente da Turquia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficou sem cadeira quando se preparava para tirar a fotografia de ocasião com Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, e o presidente turco, Recep Erdogan. O cenário só tinha duas cadeiras, Charles Michel já se tinha sentado e Ursula von der Leyen ficou remetida para um sofá (daí a expressão “sofagate”), algo distante dos dois homens que posavam para a fotografia.

Augusto Santos Silva, que atualmente lidera as reuniões dos ministros dos assuntos externos, no âmbito da presidência semestral rotativa da UE, foi questionado pela agência Efe sobre qual seria a sua postura se estivesse na pele do belga Charles Michel. “Acho que todos compreenderiam que um português, instintivamente ou por razões de cultura, de costume e de tradição, se levantaria se visse uma mulher em pé”, atirou Santos Silva.

Apesar destas palavras, o ministro dos Negócios Estrangeiros diz estar convencido de que não vale a pena “estar a pôr sal na ferida” e que é preciso “seguir em frente”.

“Faço minhas as palavras do presidente Charles Michel quando disse que pedia desculpas, que tinha sido um erro lamentável, que até dormia mal por isso. Compreendo essa reação porque foi um episódio lamentável”, disse à agência Efe. “Todos cometemos erros e, quando os cometemos, os assumimos e tomamos as decisões necessárias para que os erros não se repitam”.

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