A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto de pesar apresentado pelo PSD pelas vítimas do terramoto que atingiu o Haiti no dia 14 de agosto.

Ao aprovar a iniciativa esta manhã, em sessão plenária, o parlamento manifestou assim “a sua solidariedade ao povo e às autoridades do Haiti”, apresentando “a suas mais sentidas condolências às famílias das vítimas”.

No texto, os sociais-democratas lembram que “no passado dia 14 de agosto o Haiti sofreu um tremor de terra com epicentro 125 quilómetros a oeste da capital, Port-au-Prince, e passados dois dias, a 16 de agosto, foi atingido pelo ciclone tropical Grace, que veio agravar a catástrofe humanitária do terramoto”.

Acresce que, o Haiti, um dos países mais pobres do mundo, nunca chegou a recuperar do terramoto que aconteceu há 11 anos. E este sismo ocorre numa altura em que o país se confronta com as maiores dificuldades, não apenas devido à pandemia de Covid-19, mas também em virtude de muita violência, pobreza crescente e incerteza política face ao assassínio, em 7 de julho, do presidente Jovenel Moïsem”, lê-se na iniciativa.

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Cerca de 650 mil haitianos, incluindo 260 mil menores, precisam de ajuda humanitária urgente, com assistência na saúde e na alimentação, alertou esta semana a diretora regional da Unicef para a América Latina e Caraíbas.

O alerta de Jean Gough surgiu um mês depois de um sismo de magnitude 7,2 na escala de Richter ter abalado o sudeste do Haiti.

“As vidas das crianças e dos adolescentes salvos do terramoto estão agora ameaças por doenças evitáveis, porque não tem acesso a água potável e a serviços básicos de saúde”, disse a dirigente da Unicef.

O sismo de 14 de agosto que abalou o território haitiano provocou mais de 2.200 mortos e pelos menos 12.200 feridos e destruiu cerca de 130 mil habitações, de acordo com o organismo das Nações Unidas.

A Unicef solicitou 73,3 milhões de dólares (cerca de 62 milhões de euros) para responder às necessidades humanitárias, após o sismo, centrando-se em facultar apoio urgente em matéria de saúde, educação, água, saneamento, nutrição e proteção infantil, incluindo a violência de género, durante os próximos seis meses.

Até ao momento, recebeu menos de 11% do valor pretendido, precisou o organismo.

O Haiti, que já é um dos países mais pobres do mundo, com 60% da população abaixo do limiar da pobreza, situa-se numa zona sísmica.

O anterior terramoto, ocorrido em 2010, fez mais de 200.000 mortos e devastou a economia do país.