O vigário regional do Opus Dei em Portugal olha para os pontificados como “corridas de estafetas” em que atletas diferentes correm na mesma direção, e não crê que venha a haver reversão nas apostas do Papa Francisco.

“Naturalmente, não sei antecipar o futuro. Se olharmos para a sucessão de pontificados desde meados do século XIX nunca temos a noção de que qualquer deles, mesmo tendo sido muito diferente do anterior, tenha imposto uma rutura em relação ao anterior”, afirma o monsenhor José Rafael Espírito Santo em entrevista por escrito à agência Lusa, acrescentando que “cada Papa recebe o que herda, encaminha-o por onde sente que o Espírito o conduz e deixa-o como herança para quem o segue”.

Para o sacerdote, “é mais como uma espécie de ‘corrida de estafetas’ em que os atletas são diferentes e correm de maneira diferente, mas cada um dá o melhor de si, corre na mesma direção, quer fazer a melhor marca possível e transmite um testemunho que não foi ele que fabricou ou alterou”.

É neste contexto que, perante as preocupações do Papa Francisco em relação ao ambiente, aos direitos das minorias, aos refugiados, aos direitos das mulheres, dos idosos e dos mais jovens ou ao combate aos abusos de menores no seio da Igreja, a par de um caminho tendente à abertura aos novos tempos e às novas necessidades, o responsável pelo Opus Dei em Portugal é claro: “Não vejo que em nenhum desses pontos venha a haver reversão”.

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Segundo o sacerdote, “cada pontificado traz consigo (…) um contributo próprio que é mais um passo no crescimento da Igreja” e, no caso de Francisco merecem destaque, entre outras características, “o retrato de Deus como bondade e ternura, rico em misericórdia; a valorização máxima das pessoas que tendemos a não valorizar, como os migrantes, os presos, os desfavorecidos, os doentes, os perseguidos, os pobres; o esforço incansável por envolver a todos na vida da Igreja”.

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“O sonho de que cada um de nós encontre na Igreja alguém que nos acolha pessoalmente, acompanhe e integre; a proposta renovada da santidade ao alcance de todos a que chama a ‘santidade da classe média’ ou ‘santidade da porta ao lado’; a recuperação da confissão habitual como elemento normal da vida dos cristãos“, estão também entre os temas que o padre José Rafael Espírito Santo destaca na ação do atual Papa, na qual não esquece “o empenho concreto por levar a cabo a reforma da Cúria, desejada já pelos seus antecessores; a continuação do combate inflexível ao flagelo dos abusos; a valorização do papel insubstituível da mulher na Igreja; a consciencialização da necessidade do cuidado da natureza como dom de Deus”.

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Este caminho do Papa Francisco tem provocado reações negativas dos setores considerados mais conservadores na Igreja, havendo mesmo quem aponte para o risco de um possível novo cisma.

Perante esta questão, o líder do Opus Dei em Portugal diz ser natural que se sinta “tristeza e preocupação perante vários sinais de agitação e protesto, de várias proveniências, que assolam a vida da Igreja, com mais ou menos intensidade”.

“Mas, ao mesmo tempo, é muito grande a confiança de que a Igreja poderá continuar o seu caminho, pois o Espírito Santo não a abandona e vai realizando o seu trabalho misteriosamente. Disse bem o Papa Francisco em janeiro deste ano: ‘A solução para as divisões não é opor-se a alguém, porque a discórdia gera mais discórdia. O verdadeiro remédio começa pelo pedir a Deus a paz, a reconciliação, a unidade'”, afirma.

Processo legislativo sobre transparência desagradou ao Opus Dei

O Opus Dei não gostou de ver a forma como decorreu o processo de aprovação pelo parlamento da obrigatoriedade de políticos e titulares de altos cargos públicos declararem pertença a associações desportivas, políticas e de caráter dito “secreto”.

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O vigário regional do Opus Dei, monsenhor José Rafael Espírito Santo, diz mesmo que “não foi muito animador” ver “vários políticos referirem o Opus Dei sem terem previamente tido o cuidado de se informar” com os responsáveis pela instituição “ou com quem pudesse dar informações credíveis sobre qual a natureza, finalidade e missão” da mesma.

O Opus Dei, a par da Maçonaria, esteve sob holofotes durante alguns meses, e segundo o sacerdote, foi a sua instituição que tomou “a iniciativa de contactar os vários grupos parlamentares, e foi possível dialogar com vários deles de forma cordial”, dando a sua visão sobre a questão.

“Estamos em total sintonia com todos os que pensam que é mesmo crucial que o poder político seja exercido para o bem comum e com exigências de transparência. Porém, nos debates e na exposição de motivos da proposta inicial, assumiram-se sobre o Opus Dei alguns pressupostos que eram insinuações graves”, diz o vigário.

Segundo o responsável pela Prelatura em Portugal, “os cristãos do Opus Dei têm uma consciência reforçada da sua liberdade plena de atuação política e profissional, do dever grave — perante Deus — de respeitar as leis e as regras deontológicas, e da exclusão de qualquer dever de segredo quanto à sua pertença ao Opus Dei e aos conteúdos formativos próprios da ação pastoral da Prelatura”.

O Opus Dei “quer ter o mesmo tratamento e regime que qualquer instituição católica”, sublinha José Rafael Espírito Santo, que recorda que “os estatutos que a Santa Sé deu ao Opus Dei excluem expressamente qualquer tipo de secretismo”.

“Feita esta clarificação sobre o Opus Dei, alertámos também para uma questão mais importante: estaria salvaguardada a liberdade religiosa que a nossa Constituição claramente protege? Essa já não era uma questão somente pertinente ao Opus Dei, mas a todo e qualquer cidadão crente, qualquer que seja a sua religião”, acrescenta, assinalando que o parecer emitido pela Comissão da Liberdade Religiosa “é um texto clarividente, de leitura obrigatória para se entender o que está em causa”.

Outra polémica, que a espaços é abordada publicamente, prende-se com os privilégios materiais de algumas figuras públicas pertencentes ao Opus Dei, que chegam a litigar para não perder esses benefícios e que contrariam o apelo ao desprendimento dos bens materiais e a viver com sobriedade que o “Caminho”, obra do fundador do Opus Dei, São Josemaria Escrivá, faz no seu número 631.

Confrontado com esta contradição, o padre José Rafael diz compreender a “perplexidade”.

“Não referirei situações e atuações pessoais, vou apontar algumas ideias importantes. Efetivamente, o cristianismo recorda que não se pode servir a Deus e às riquezas. Além disso, o desprendimento pessoal e a relação austera com os bens predispõem à partilha com os outros e são um fator indispensável para tornar realista e duradouro o combate à pobreza em que, infelizmente, vivem tantos milhões de pessoas”, afirma.

Segundo o vigário regional do Opus Dei, “não é fácil fazer juízos certeiros de fora”, mas de uma coisa está convicto: “No Opus Dei não faltam pessoas em situação de pobreza, sobretudo neste tempo de pós-pandemia, e muitas outras que, por iniciativa própria, fazem uma ação social notável em projetos próprios ou em projetos já existentes, sejam ou não da Igreja”.

Transparência sobre abusos ajudará à recuperação da confiança na Igreja, diz Vigário do Opus Dei

O responsável pelo Opus Dei em Portugal, monsenhor José Rafael Espírito Santo, defende que “o reconhecimento transparente da verdade” ajudará à recuperação da confiança na Igreja, “neste momento ferida” pelos casos de abuso de menores.

O vigário regional do Opus Dei confia que “os bispos portugueses hão de tomar as medidas necessárias e avaliar a oportunidade da investigação sobre o passado” quanto ao abuso de menores no seio da Igreja.

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Para monsenhor José Rafael Espírito Santo, “o reconhecimento transparente da verdade certamente ajuda à recuperação da confiança, que está neste momento ferida”, pelo que recorda as palavras do papa emérito Bento XVI, “na altura em que começou a revelar-se cada vez mais uma questão prioritária: ‘Só a verdade salva’”.

Em entrevista por escrito à agência Lusa, a poucos dias de a Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) debater a constituição de uma comissão nacional de coordenação das comissões diocesanas de proteção de menores e adultos vulneráveis que defina critérios e procedimentos comuns às 21 comissões diocesanas, o padre José Rafael Espírito Santo é perentório: “Estamos todos cada vez mais conscientes do efeito devastador e, em grande medida, irreparável que uma experiência de abuso provoca na vítima”.

“É um crime terrível e um pecado gravíssimo, uma enorme traição ao amor de Deus por nós e ao dom do sacerdócio, e por isso pedimos a Deus que cure e conforte as vítimas, atraia à conversão os culpados, e a todos nos ajude a ser proativamente vigilantes”, afirma o vigário regional do Opus Dei, acrescentando que, “como para a Igreja a preocupação pelas vítimas é uma cada vez maior prioridade, é bom tudo o que se faça concretamente para abrir as portas à escuta e acolhimento das pessoas que têm essas feridas profundas dentro de si, e com elas fazer o possível para o reconhecimento da verdade, a reparação dos danos e a reconstrução de vida”.

Para o padre José Rafael Espírito Santo, é também imperioso que se aposte na “formação de todos os que lidam com crianças e jovens em prevenção e cuidado”.

Quanto ao acompanhamento que o Opus Dei em Portugal está a fazer deste tema, tem em vigor um protocolo que dá cumprimento às orientações do Papa Francisco, do Prelado do Opus Dei e da CEP “para a prevenção e investigação destes casos, além de que a Prelatura só presta atendimento pastoral a iniciativas que tenham adotado procedimentos no relacionamento com menores de cuidado e prevenção”.

“Até ao momento, em Portugal não tivemos nenhuma sinalização relativa ao clero do Opus Dei”, assegura.

O Opus Dei tem em Portugal um Comité Assessor para a questão da proteção de menores, órgão consultivo do vigário regional, composto por cinco pessoas, sendo presidido pelo padre João Paulo Pimentel, da paróquia de Telheiras, em Lisboa, e coordenado pelo advogado Paulo Sousa Pinto, e Fátima Fonseca, especialista em acompanhamento familiar.

Opus Dei com 75 anos em Portugal e uma influência maior do que os 1.625 membros

Olhada frequentemente como uma das organizações com maior influência na sociedade portuguesa, nomeadamente entre a elite católica, o Opus Dei tinha, no início deste ano, apenas 1.625 membros em Portugal, 75 anos depois de ter chegado ao país.

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Aparente ou real, a influência propalada parece não influir na gestão da “Obra de Deus” por parte do vigário regional, monsenhor José Rafael Espírito Santo, engenheiro civil que se deixou conquistar pelo serviço à Igreja.

“A realidade é outra. O Opus Dei é mais uma entre todas as realidades da Igreja Católica e como todas elas quer ter uma influência religiosa para bem da sociedade”, diz José Rafael, acrescentando que “a fé influencia tudo” e “só as pessoas mais influenciadas por Deus — os santos — é que foram verdadeiramente transmissores desta influência”.

O vigário regional do Opus Dei rejeita, por outro lado, qualquer influência além da religiosa: “À parte essa influência da fé, para a Igreja é hoje fundamental, no exato sentido de que ‘constitui um fundamento’, o respeito pela liberdade de opinião e pela autonomia de atuação dos cristãos em tudo o que não é de fé. É muito de saudar que haja pluralismo de convicções e opções. E é muito de censurar servir-se do pretexto religioso para fins não religiosos. Este aspeto é intrínseco ao modo de ser e de atuar do Opus Dei”.

“Sei que há quem faça (…) leituras (…) contrárias ao que acabo de dizer. Continuaremos a tentar esclarecer”, diz, lamentando que “em Portugal, muito mais que na maioria dos países”, o Opus Dei seja “muitas vezes referido em público por pessoas sem qualquer relação direta com a instituição, criando um problema de comunicação pouco habitual que se caracteriza por uma notoriedade da instituição muito maior do que seria natural para a dimensão que tem”.

Dos 1.625 membros, segundo dados disponibilizados pelo próprio vigário, a maioria são mulheres — quase o dobro do número de homens — e mais de 1.100 são casados ou solteiros sem compromisso de celibato. O Opus Dei conta também com 89 padres em Portugal. Existem ainda cerca de 3.000 cooperadores, que não pertencem ao Opus Dei, e podem não ser católicos, nem crentes, mais apoiam o serviço que o Opus Dei presta.

“O Opus Dei é uma mensagem dirigida a todos, e é, além da mensagem, uma instituição que reúne as pessoas que sentem, por parte de Deus, o apelo a viver esta mensagem. Por se dirigir a todos, as atividades de formação católica que o Opus Dei organiza são abertas e não estão reservadas aos membros, nem carecem de convite prévio”, explica o padre José Rafael Espírito Santo, contrariando a imagem de algum secretismo que, habitualmente se “cola” à Prelatura.

Quando há 75 anos, o farmacêutico espanhol Francisco Martinez, de 24 anos, chegou a Portugal para iniciar o caminho do Opus Dei no país, o objetivo era o mesmo que a instituição tem hoje, ou seja, “tornar presente a Igreja Católica pela difusão da mensagem de que aos olhos de (…) Deus a vida do cristão comum, talvez rotineira, tem muito valor”.

“Vejo três notas nestes 75 anos: o amadurecimento, feito de acertos e desacertos; a contínua atualidade da mensagem da santificação do trabalho e da vida corrente, tanto mais urgente e necessária quanto maior vem sendo o esquecimento de Deus nesta sociedade apressada; e a crescente perceção do contributo desta instituição no contexto da Igreja Católica”, afirma o vigário, para quem faz todo o sentido, face ao frenesim quotidiano, apostar na “santificação do trabalho”.

“Sabendo que (…) Jesus trabalhou, viveu a sua condição de cidadão servindo os outros com o seu trabalho, e necessariamente trabalhou bem, teremos cada vez mais, e só, razões para fazer as coisas do melhor modo possível, com desejos de servir os outros e o bem comum. E podemos oferecê-las a Deus, que é mais ou menos o mesmo que faz quem dedica um livro, um feito, um golo, ou uma vitória”, explica.

Uma das imagens frequentemente associada ao Opus Dei prende-se com as mortificações corporais, como o uso do cilício.

“Para o cristão comum, cumprir os deveres diários, manter a boa qualidade das relações familiares, e até o simples sorriso habitual, são as formas mais importantes que encontra todos os dias — e que não deve desperdiçar – para mostrar um amor disposto a sacrificar-se, a ir para além do interesse próprio”, afirma, explicando que “as expressões de penitência corporal (…) embora pertençam à vida da Igreja e são por ela aceites (o Papa Francisco em 2017 afirmou ter feito a experiência e referiu o seu sentido positivo), não são de todo essenciais, e a maioria das pessoas do Opus Dei não as vive”.

Quem as vive na Igreja, “e em concreto as pessoas do Opus Dei que o fazem, vive-as sempre voluntariamente, dando-lhes o sentido positivo de união à paixão de Cristo, portanto como manifestação do amor pelos que se afastam de Deus e assim da sua verdadeira felicidade”, sublinha, advertindo que “isto não se entende sem uma lógica de vida de fé”.

Com atividade visível na educação, presente em vários colégios e na formação de quadros, o vigário do Opus Dei rejeita a ideia de que a ação da “Obra” esteja voltada para os mais favorecidos.

“As coisas não são assim. Ao prelado do Opus Dei, o Papa Francisco disse que queria que o Opus Dei divulgasse a mensagem do Evangelho na periferia que hoje encontramos na classe média da sociedade, referindo-se àqueles ambientes onde já não há lugar para Deus, e onde escasseiam valores e ideais”, diz o padre José Rafael Espírito Santo.

As escolas “estão claramente situadas nesse contexto. O Opus Dei deseja ter uma parceria com esses projetos formativos e educacionais para, sempre com respeito pela liberdade religiosa das pessoas que aí trabalham ou beneficiam dos seus serviços, abrir mais uma possibilidade de aproximação à fé católica, pois a experiência de Deus permite o maior conhecimento da realidade”.

“Além disso, muitos fiéis do Opus Dei intervêm estavelmente, por sua iniciativa, em ações e organismos de apoio a desfavorecidos, e algumas pessoas do Opus Dei são pessoas desfavorecidas e em dificuldade. Um exemplo é a iniciativa a propósito dos 75 anos da presença em Portugal, dos 75 cabazes para 75 famílias, que, em Lisboa, Porto e Braga, procura ajudar em cada cidade 75 famílias que agora sofrem mais pela pandemia, conseguindo um cabaz cada mês e ajudando a assumir uma meta de melhoria”, refere o sacerdote.

Aos 62 anos de idade, José Rafael Espírito Santo, natural de Lisboa, que diz ser “padre com tudo o que isso implica (…) sem deixar de ser uma pessoa limitada e com muitos defeitos”, admite que a sua formação em engenharia civil “marca muito” o seu serviço à Igreja e “o modo de enfrentar as questões”, enquanto “a formação filosófica facilita uma proteção para não cair na superficialidade”.

Com rotinas definidas, abrindo o dia com tempo de oração e missa, a que se segue o “estudo dos vários assuntos” durante a manhã, o vigário regional do Opus Dei dedica algumas tardes “a trabalho sacerdotal como o acompanhamento espiritual pessoal e o sacramento da confissão”. Porém, este padre que chegou, em Roma, a tocar Eagles para o Papa João Paulo II, confessa que continua a ter interesse pela música quando tem tempos livres.

“Ultimamente tenho-me interessado pelos ‘Quatro e meia’, do ponto de vista da música portuguesa”, diz, adiantando que também a literatura ocupa algum do seu tempo: “tenho a intenção de ir lendo as obras de Sándor Márai, traduzidas para português”, que ainda não leu.

Opus Dei em Portugal com um “empurrão” da irmã Lúcia

A comemorar os 75 anos de presença em Portugal, a história do Opus Dei no país começou em fevereiro de 1945, quando o fundador da Obra, Josemaria Escrivá, visitou Braga, Porto, Coimbra, Leiria e Lisboa.

A irmã Lúcia, vidente de Fátima, terá sido a responsável por esta viagem de Escrivá.

Na sua página na Internet, o Opus Dei dá conta de que Lúcia se encontrava num convento em Tui, quando o bispo local quis que Josemaria Escrivá a conhecesse.

“A conversa foi providencial, uma vez que a irmã Lúcia pediu insistentemente ao fundador que fosse a Portugal, para poder assim apressar os começos do trabalho do Opus Dei em terras portuguesas. A viagem está nos seus planos apostólicos, mas não naquele momento, entre outras coisas porque não tinha passaporte. Mas isso não foi um obstáculo, pois, com um telefonema para Lisboa”, Lúcia obteve para Josemaria e para os que o acompanhavam a autorização necessária.

Ainda segundo o Opus Dei, “um ano depois chegavam a Coimbra vários membros do Opus Dei em estudos de pós-graduação, montando uma residência universitária nessa cidade. Posteriormente seria a vez do Porto (1948) e Lisboa (1951)”.

Até 1972, Josemaria Escrivá (que João Paulo II beatificou em 1992 e canonizou em 2002) “voltaria com frequência a Portugal, que também o atraía particularmente por Fátima”.

Atualmente, em Portugal, a Prelatura conta com 1.625 fiéis, distribuídos por todas as zonas do continente, Madeira e Açores, e existem centros em Braga, Porto, Miramar, Viseu, Coimbra, Lisboa, Montemor-o-Novo e Ponta Delgada.

Os 75 anos estão a ser assinalados por diversas dioceses do país com uma exposição itinerante, que já passou por Lisboa, Cascais, Viseu, Braga e Porto, e passará ainda pelo Montijo (novembro), Algarve e Açores (dezembro), Évora (janeiro de 2022) e Fátima e Lisboa (fevereiro de 2022).

A mostra, segundo o Opus Dei, visa dar a conhecer “a história de fé e entrega, trabalho e alegria (…) que se desenrolou até aos dias de hoje, e se abre ao futuro”.

A exposição consta de 14 painéis e de alguns objetos através dos quais se contam os principais momentos da história desta instituição da Igreja Católica.

A Prelatura, que conta com uma única paróquia em Portugal — Paróquia de Nossa Senhora da Porta do Céu, em Telheiras, Lisboa — viu ainda o aniversário ser assinalado com a edição do livro “O fundador do Opus Dei em Portugal”, de monsenhor Hugo de Azevedo, e com a reedição de “Amigos de Deus”, de Josemaria Escrivá. Há também a perspetiva de, até fevereiro de 2022, serem reeditados o “Caminho”, o “Sulco” e a “Forja”.

Entretanto, e até 2023, o Opus Dei vai preparar a participação na Jornada Mundial da Juventude (JMJ Lisboa 2023), que se realizará em Lisboa, entre 01 e 06 de agosto desse ano.

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“Vivemos com muito entusiasmo o anúncio, e estamos a acompanhar com atenção e disponibilidade os preparativos. A JMJ vai ser uma ótima ocasião para ajudar muitos jovens portugueses a terem nova confiança em Deus e desejarem ser tocados por Deus, e, por essa via, tornarem-se uma presença refrescante na sociedade”, diz o vigário regional do Opus Dei em Portugal.

De acordo com o padre José Rafael Espírito Santo, “nos encontros de formação católica para jovens, o Opus Dei vai desafiá-los a renovarem a sua relação com Deus, a aprenderem a arte da oração, a darem a sua ajuda na organização, e a mobilizarem o máximo número de colegas, familiares e amigos a estarem presentes” na Jornada de Lisboa.