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Nove anos depois de quase ter morrido depois de baleada na cabeça por um talibã, Malala Yousafzai, a pessoa mais nova de sempre a receber o Prémio Nobel da Paz (2014), casou-se esta terça-feira, em Birmingham.

Num anúncio feito pela jovem paquistanesa, de 24 anos, na rede social Twitter, o rosto mundial da luta pela educação das raparigas informou que se casou, numa pequena cerimónia matrimonial muçulmana, apelidada de “nikka”, com o seu companheiro, Asser Malik, treinador de críquete da seleção nacional do Paquistão. Estiveram presentes apenas os familiares dos noivos.

“Hoje [terça-feira] marca um dia precioso na minha vida” afirmou Malala na rede social. “Por favor, enviem-nos as vossas orações. Estamos bastante entusiasmados por caminharmos juntos o percurso que temos pela frente.”

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Malala parece ter mudado de ideias em relação ao casamento. Ainda em Julho, numa entrevista à Vogue, questionava a necessidade de contrair matrimónio. “Eu continuo a não compreender porque é que as pessoas se têm de casar”, comentou, para acrescentar a seguir: “Se queres ter uma pessoa na tua vida, porque é que tens que assinar papéis de casamento, porque é que não pode ser apenas uma parceria?” Na mesma entrevista, confessava também que a mãe não gostava da sua posição.

Seja como for, Malala casou e as reações não demoraram a chegar. “Parabéns, Malala e Asser. Desejo-vos uma vida inteira de felicidade juntos”, escreveu o primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau no Twitter. Justin Trudeau casamento Malala

Também a embaixadora da ONU pelas mulheres do Paquistão, Muniba Mazari, congratulou a jovem paquistanesa emigrada no Reino Unido: “Muitas bênçãos para ti, meu amor, e cumprimentos à tua família”.

Malala Yousafzai concluiu no ano passado um bacharelato em Filosofia, Política e Economia pela Universidade de Oxford, lembra o jornal The Guardian. A ativista tornou-se, em 2014, na pessoa mais nova a ser distinguida com o Prémio Nobel da Paz, quando tinha apenas 17 anos, tendo recebido o prémio em conjunto com o ativista pelos direitos das crianças indianas, Kailash Satyarthi.

Desde cedo que Malala reivindica o direito das jovens de todo o mundo no acesso à educação, causa que resultou, em 2012, quando tinha 15 anos, numa tentativa de assassinato da ativista, quando foi atingida na cabeça com um tiro. No seu livro, “We Are Displaced” (em português “Nós Somos Refugiadas”) Malala afirma: “Em vez de me silenciarem, eles [os que a tentaram matar] amplificaram a minha voz para lá do Paquistão”.

A Organização das Nações Unidas recebeu Malala Yousafzai como uma embaixadora da paz na luta pelo acesso das jovens à educação em 2017.