Siga aqui o liveblog sobre a guerra na Ucrânia

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China veio, esta segunda-feira, tentar desfazer o imbróglio diplomático que as declarações do embaixador chinês em Paris causaram. Pequim vem agora esclarecer que respeita o estatuto de independência das nações soberanas que emergiram do colapso da URSS.

Em causa estão as declarações de Lu Shaye, embaixador da China em Paris que, numa entrevista a uma televisão francesa na sexta-feira, foi questionado sobre se a Crimeia fazia ou não parte da Ucrânia. “Estes países ex-URSS não têm um verdadeiro estatuto no direito internacional porque não há nenhum acordo internacional a materializar o seu estatuto de soberania”, afirmou.

As declarações foram apelidadas como “inaceitáveis” por vários ministros e outros responsáveis da União Europeia, incluindo o chefe da diplomacia europeia, Josep Borell, que no Twitter defendeu que “a União Europeia (UE) só pode assumir que estas declarações não representam a política oficial da China”. Vários responsáveis disseram que iam pedir esclarecimentos à China.

Embaixador chinês em França diz que países pós-soviéticos não são verdadeiramente independentes

Questionada sobre se as declarações do embaixador representam a posição da China, uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, disse que Pequim respeita o estatuto de independência dos países da antiga URSS e que é esta a posição que representa o governo chinês. Distanciando-se das afirmações do embaixador, o ministério disse que as palavras de Shaye “não eram uma declaração política, mas uma expressão da sua opinião pessoal”, e reiterou que Pequim tem sido “objetiva e imparcial” nos assuntos de soberania.

Também o embaixador chinês na União Europeia, Fu Cong, salientou que a cooperação entre a China e a Europa é “ilimitada”, tal como os laços de Pequim com a Rússia, em declarações publicadas esta segunda-feira. E alertou para o que diz serem “tentativas” de usar os laços da Rússia com a China para semear a discórdia entre Pequim e a Europa.

Também segundo a Reuters, o ministério francês dos Negócios Estrangeiros chamou esta segunda-feira o próprio embaixador para uma reunião onde, de acordo com nota oficial, exortou o diplomata a “a usar as suas declarações públicas de forma coerente com as posições oficiais” da China.

A mesma nota refere que foi a chefe de gabinete da ministra Catherine Colonna que recebeu Lu Shaye, a quem “sublinhou o caráter inaceitável do questionamento do respeito pela soberania, independência e integridade territorial de todos os Estados, princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, que é vinculativa para todos”.