Uma menina de cinco anos morreu, este sábado, depois de ser atingida por uma bala perdida na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, durante uma operação da Polícia Militar. Entretanto, a cúpula da polícia daquele estado afastou o tenente-coronel responsável pelo batalhão que conduziu a operação, avança o jornal Folha de São Paulo.
Durante a manhã, os polícias que patrulhavam um dos bairros da ilha tentaram abordar dois homens que circulavam um motociclo. Um deles, que seguia à pendura, estaria armado com uma pistola e terá disparado contra os agentes, que responderam da mesma forma. Na troca de tiros, um jovem, de 17 anos, acabou baleado com gravidade. Ainda foi transportado para um hospital próximo, onde chegou já morto. Já o condutor do motociclo foi detido.
Quando a notícia da morte do jovem, chamado Wendel Eduardo, se espalhou na comunidade onde vivia, começaram os protestos. Os moradores queimaram pelos menos três autocarros, e perante a violência, a polícia terá respondido com disparos. Um desses tiros atingido Eloá, uma menina de cinco anos, que estava no quarto a brincar. A menina ainda foi transportada para um hospital mas morreu antes de receber tratamento.
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A polícia diz depois ter sido informada de que uma criança foi “baleada no interior da comunidade de Dendê e que foi socorrida por familiares”. Numa nota, citada pela CNN Brasil, a Polícia Militar garante que “não havia operação policial no interior da comunidade” e diz desconhecer os contornos da morte da menina.
Quanto ao primeiro momento, o da morte do jovem de 17 anos, a versão da polícia não coincide com a do tio do jovem que garante, com base no relato de pessoas que assistiram à abordagem dos agentes da polícia, que Wendell levantou os braços e rendeu-se, tendo, ainda assim, sido baleado.
Perante as versões contraditórias do incidente, a Polícia Militar já anunciou que vai abrir um inquérito, recorrendo, para isso, às imagens das bodycams. Para garantir “transparência na averiguação dos factos”, a Secretaria de Polícia Militar decidiu também afastar o tenente-coronel responsável pelo batalhão da Ilha do Governador.
Eloá está longe de ser a única vítima deste tipo de situações. As mortes de menores causadas por balas perdidas são frequentes no Brasil. A menina foi a sétima criança morta por disparo de arma de fogo este ano só no Estado do Rio de Janeiro, segundo a plataforma Fogo Cruzado. Nos últimos sete anos, 601 crianças e adolescentes foram baleados na região metropolitana do Rio de Janeiro.