Sessenta anos depois de lançar a marca, o seu nome confunde-se com as passadeiras vermelhas mundo fora, e a magia continua a contagiar mulheres em todo o mundo — mesmo entre quem jamais conseguiria aceder a um vestido seu. Também na montra presidencial tem tido uma palavra a dizer à medida que as primeiras-damas vão entrando e saindo da Casa Branca. Por estes dias, a etiqueta Oscar de la Renta volta a merecer destaque – e a ficar debaixo de fogo pelos críticos, com alguns fãs a pedirem um boicote (levando o apelo até a Taylor Swift) Mas a relação com tomadas de posse e compromissos diplomáticos remonta a outros consulados de estilo.

Em contagem decrescente para a tomada de posse do 47.º presidente dos EUA, a casa de moda não se acanha no vínculo às principais figuras femininas em torno de Donald Trump, assinando alguns dos looks que desfilaram em jantares de gala e outros compromissos de agenda. É o caso de Ivanka Trump, filha de Donald, que apostou num elaborado visual para um encontro no sábado à noite no National Building Museum, em Washington D.C. As pérolas e o bordado dominam o meticuloso trabalho dos artesãos, conforme mostra o vídeo que a marca divulgou nas suas redes sociais.

Antes, Ivanka adotou a fórmula monocromática, surgindo em tons camel, com um casaco de caxemira com motivos florais em 3D (nesta caso orquídeas), também com o cunho Oscar de Renta. Debaixo de chuva, junto da comitiva do pai, na cerimónia de deposição de coroas de flores no túmulo do Soldado Desconhecido no Cemitério Nacional de Arlington, o look foi conjugado com botas e luvas no tom da estação.

Enquanto isso, Melania Trump optava por uma capa negra assertoada da Dior, uma das suas marcas de eleição, e umas botas de cano alto Christian Louboutin boots. Em estilo mod, Tiffany Trump usou um casaco cinzento cintado com botões quadrados.

Num outro palco, quem também brilhou com Oscar de la Renta foi Usha Vance, a mulher do vice-presidente dos EUA, que se apresentou com um longo vestido preto no jantar de gala de sábado à noite. Com os ombros a descoberto nesta criação em veludo, com decote em coração, imperou o minimalismo dos acessórios — e os detalhes florais assimétricos.

No segredo dos deuses, tal como Melania, permanece o look que Usha usará esta segunda-feira na tomada de posse. Quanto ao marido, deverá ser vestido por Romualdo Pelle, um alfaiate de 90 anos de Ohio, que tem vestido Vance desde que este entrou na política. Para o fim de semana de tomada de posse a encomenda do vice-presidente terá incluído oito camisas, seis gravatas, quatro ternos, três cintos, dois sobretudos e dois pares de luvas.

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“A moda é não-política e não-partidária”

Cabe hoje à dupla Laura Kim e Fernando Garcia liderar os destinos criativos da Oscar de La Renta, um reduto onde a longevidade e familiaridade dos vínculos tem sido estimada. Laura estreou-se na marca em 2004, recém formada, e na qualidade de diretora de design. Em 2009, Oscar traria para esta aventura o compatriota formado em arquitetura Fernando, que deu os primeiros passos como estagiário e que ascenderia ao posto de designer sénior após a morte do fundador, em 2014. O atual CEU é Alex Bolen, genro de De la Renta. “Sentimos uma grande responsabilidade, já que trabalhamos com ele”, diz Fernando sobre continuar o legado que testemunharam ser construído pelo Sr. de la Renta, “Temos um enorme respeito pela família e queremos garantir que o seu nome continue de uma forma jovem e forte. “, descreveu à edição Arábia da Harper’s Bazaar.

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“A moda é não-política e não-partidária”, chegou a dizer De la Renta, defendendo-se de possíveis críticas pela associação a figuras nem sempre consensuais. Na galeria de primeiras-damas, nomes como Nancy Reagan, Laura Bush e Hillary Clinton também requisitaram a marca fundada em 1965 pelo dominicano que cedo assumiu que as suas criações não estavam ao alcance de todas. Quanto a Michelle Obama, a relação foi mais tensa: de La Renta criticava a preferência por criadores não americanos e a então primeira-dama só se terá rendido a um vestido seu pouco antes da morte do designer.

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Hillary Clinton na Met Gala de 2001 © Getty Images

Sofreria de cancro desde 2006, apesar de tal nunca ter sido confirmado, e morreu em  82 anos, na sua casa no Connecticut. Mal o lugar ficou vago, foi ocupado por Peter Copping. Por essa altura, Laura e Fernando afastaram-se da marca e lançaram a sua própria etiqueta, a Monse, num registo contemporâneo com um toque de luxo. Kim foi ainda contratada pela Carolina Herrera, num processo que teria um desfecho dificultado. Copping saiu de cena apenas 21 meses depois de ter entrado e a atual dupla voltou a cruzar o seu caminho com a Oscar de La Renta, agora no papel de co-criadores criativos. Carolina Herrera alegou que Laura havia violado um contrato de não concorrência, mas o caso acabou por ser resolvido, permitindo que a dupla estreasse a sua coleção outono/inverno 2017, acumulando ainda a direção da Monse.

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Nancy Reagan, ao centro, no seu icónico “Reagan red”, ladeada por Oscar de La Renta e Barbara Walters © Getty Images

Nascido em Santo Domingo, em 22 de julho de 1932, filho mais novo de um clã de sete (e único rapaz) Óscar Arístides Renta Fiallo despediu-se do país aos 18 anos e foi em Espanha, quando estudava pintura, que as portas para a moda se abriram de par em par. Francesca, mulher do embaixador americano no país, John Davis Lodge, pediu-lhe um vestido para a filha e o resultado final acabou por brilhar na capa da revista Life. Escusado será dizer que arrumou a pintura e se tornou aprendiz do mestre Cristóbal Balenciaga. Em 1961, de la Renta disse adeus a Espanha e tornou-se assistente de Antonio del Castillo na maison Lanvin, em Paris.

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Foi já em Nova Iorque, em 1963, que desejou enveredar pelo pronto a vestir, seguindo o conselho de Diana Vreeland, editora-chefe da Vogue, que o encaminhou para a Arden, seguindo depois para a casa americana de moda Jane Derby, antes de se lançar em nome próprio.

Em 1993 tornou-se o primeiro criador natural da República Dominicana a desenhar para uma casa francesa, a Pierre Balmain, ligação que se estendeu até ao começo do novo milénio. Em 2006, começou a dedicar-se também a uma linha de noivas. Para a história passam centenas de modelos icónicos que as maiores estrelas do mundo do espectáculo desfilaram pelas principais red carpets.

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Michelle Obama no jantar de Estado em que usou, por fim, uma criação Oscar de La Renta © Getty Images

Resta esperar para ver se a marca também hasteará uma bandeira na tomada de posse desta segunda-feira, e nos bailes que se seguirão ao momento.