As autoridades sul-coreanas divulgaram esta segunda-feira o relatório preliminar sobre a queda do Boeing 737-800 da Jeju Air, que se despenhou quando aterrava no aeroporto de Muan, provocando 179 mortes. No documento, de seis páginas, os investigadores descrevem que “ambos os motores foram examinados, e foram encontradas penas e manchas de sangue de aves.”

“Os pilotos identificaram um grupo de aves quando se aproximavam da pista 01, e uma câmara de segurança filmou o HL8088 a aproximar-se de um grupo de aves durante o go-around [quando os pilotos decidem não continuar a aproximação ou aterragem e tentam outra aproximação ou desviar para outro aeroporto]”, referem os investigadores. O relatório, que é citado pela Reuters, diz ainda que os vestígios encontrados nos motores são da espécie Pato-de-baikal, um tipo de ave migratória que voa em grandes bandos para a Coreia do Sul.

Avião despista-se na Coreia do Sul. Autoridades confirmam 179 mortos e apenas dois sobreviventes

O acidente aconteceu no dia 29 de dezembro e a primeira possível causa apontada pelas autoridades sul-coreanas foi precisamente um choque com aves. À agência Yonhap, testemunhas do acidente afirmam ter visto chamas no motor do avião e ouvido várias explosões antes do incidente. O avião derrapou na pista sem o trem de aterragem aberto e acabou por embater num muro de betão antes de se incendiar com uma explosão.

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Se o relatório preliminar aponta para um choque com aves, não adianta o que terá levado o avião a aterrar sem o trem de aterragem. Também não menciona qualquer hipótese que justifique o facto de as caixas negras do avião terem parado de funcionar nos quatro minutos anteriores ao impacto.

“Uma ave presa na asa”, a mensagem do passageiro e “mayday”. Os últimos minutos do avião da Jeju Air que se despistou na Coreia do Sul

Ainda há dúvidas sobre o momento exato em que o choque com as aves foi relatado pelos pilotos, admitem os investigadores. Isto apesar de na primeira linha temporal dos acontecimentos feita pelo Ministério dos Transportes da Coreia do Sul e dos bombeiros mencionar que às 8h59 os controladores aéreos terem recebido o alerta: “Mayday, Mayday, Mayday” e “Choque com aves, choque com aves, go-around”.

O documento foi submetido à agência de aviação da Organização das Nações Unidas (ONU), bem como às autoridades dos Estados Unidos, França e Tailândia — países de origem dos fabricantes do avião e das suas peças. A investigação prossegue e entre os próximos passos consta o análise dos motores, dos dados de controlo de tráfego, das evidências da colisão com as aves e do muro de betão que se encontrava no final da pista de aterragem.

A existência desta estrutura, que tem um sistema de navegação para ajudar nas aterragens e segundo o Ministério dos Transportes sul-coreano existe em vários aeroportos, tem sido apontada como uma das possíveis causas para um número de vítimas tão elevado. Na semana passada, como noticiou a Associated Press, as autoridades anunciaram que iam retirar as estruturas no aeroporto de Muan e instalar uma nova feita de materiais mais frágeis.