Ao contrário de outros países na Europa (e não só), o Governo português não pondera proibir os funcionários públicos de utilizarem a aplicação da startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek. O executivo liderado por Luís Montenegro está a acompanhar, juntamente com as autoridades competentes (como o Centro Nacional de Cibersegurança), a recente ascensão da plataforma. Mas um bloqueio não está, para já, em cima da mesa, apurou o Observador.
No final de janeiro, Itália avançou com uma proibição da aplicação devido a preocupações relacionadas com a proteção dos dados dos utilizadores. A decisão foi tomada depois de o regulador entender que não tinham sido fornecidas informações suficientes quanto à política de privacidade da DeepSeek, nomeadamente sobre os dados que são recolhidos, se são ou não armazenados na China e com que finalidade.
Esta quinta-feira foi a vez de os Países Baixos anunciarem que os funcionários públicos estão proibidos de usar a plataforma chinesa, que consideram ser “sensível à espionagem”. Desta forma, o país receia que informações dos utilizadores possam ser partilhadas com o regime chinês.
Países Baixos proíbem funcionários públicos de uso da aplicação DeepSeek
Na Ásia, o Ministério da Indústria e o Ministério da Defesa da Coreia do Sul também bloquearam, segundo a agência Reuters, o acesso à DeepSeek face a preocupações de segurança nacional. A mesma medida foi tomada por Taiwan, que alegou riscos relacionados com a “segurança nacional da informação” uma vez que “o serviço de IA da DeepSeek é um produto chinês”.
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Também a Austrália, face às mesmas preocupações, exigiu que todas as entidades governamentais “impeçam a utilização ou a instalação de produtos, aplicações e serviços web da DeepSeek”. Os sistemas que tivessem sido anteriormente instalados nos dispositivos do governo devem ser removidos.
Taiwan proíbe agências governamentais de utilizar aplicação chinesa DeepSeek
Nos Estados Unidos deverá ser apresentado esta sexta-feira um projeto de lei, pelo republicano Darin LaHood e pelo democrata Josh Gottheimer, para proibir a DeepSeek nos dispositivos do governo devido a preocupações relacionadas com a segurança nacional, nomeadamente devido à possível partilha de dados dos utilizadores com o governo chinês. A notícia foi avançada pelo The Wall Street Journal.
Recorde-se que receios acerca da segurança de dados e de espionagem estiveram na base de um bloqueio (temporário) do TikTok, propriedade da chinesa ByteDance, em janeiro nos EUA. A rede social continua em risco no país, uma vez que ainda tem de ser vendida para estar em conformidade com a legislação que exige que corte os laços com a China para evitar uma proibição. A 20 de janeiro, Donald Trump, recém empossado Presidente dos Estados Unidos, deu mais 75 dias à plataforma de vídeos curtos para cumprir a lei.