O ex-deputado do Chega, com estatuto de não inscrito, foi o único parlamentar a posicionar-se contra o voto de pesar pela morte da escritora Maria Teresa Horta, aprovado esta sexta-feira na Assembleia da República, avançou o Diário de Notícias.
Ao Observador, o deputado confirma a sua votação. “Não voto em consciência em pessoas que admiram ideologias responsáveis por milhões de mortes”, diz, acrescentando que é “anticomunista”.
Num primeiro momento, durante a votação, o presidente da Assembleia da República em exercício, Marcos Perestrello, chegou a dar o voto de pesar como “aprovado por unanimidade”. Já depois de a maioria dos deputados aplaudir a aprovação é que Miguel Arruda pediu a palavra para retificar e anunciar o seu voto contra.
Maria Teresa Horta, que morreu na segunda-feira aos 87 anos, foi poetisa, escritora e jornalista. No voto de pesar, apresentado no Parlamento, foi colocado em destaque o seu “percurso de vida marcado pela resistência ao fascismo e pelo ativismo em defesa da democracia e da emancipação da mulher”.
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Depois de dez dias de baixa psiquiátrica, Miguel Arruda regressou na quinta-feira à Assembleia da República como deputado não-inscrito. Deixou a bancada parlamentar do Chega na sequência do processo em que é arguido por suspeitas de furto qualificado de malas nos tapetes rolantes de aeroportos.
Na mesma sessão plenária em que votou contra o pesar pela morte da poetisa e jornalista, Arruda foi acusado por Rui Tavares, dirigente do Livre, de ter feito a saudação nazi, quando sinalizou o seu sentido de voto. Tavares fez uma interpelação à mesa da Assembleia da República para denunciar que Miguel Arruda, pelo menos por duas vezes, “de forma consciente e deliberada”, votou “fazendo o gesto da saudação fascista, nazi ou romana”.
Rui Tavares acusa deputado ex-Chega Miguel Arruda de votar a fazer saudação nazi
Em declarações ao Observador, Miguel Arruda nega ter feito tal saudação. “Apenas estava a chamar a atenção à mesa para os meus sentidos de voto. O Presidente da Assembleia da Republica não estava a acompanhar só comigo a levantar-me”, nem quando sinalizava o voto com “dois dedos”, esclareceu, garantindo que o seu voto só passou a ser visto quando levantou “a mão completa”.