“O mundo vive uma encruzilhada na História e não é tempo de falhar.” O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, apresentou, este domingo, quatro pontos que foram discutidos durante a cimeira de Segurança que ocorreu em Londres para terminar com a guerra na Ucrânia. Assumindo um papel de “líder” — o que o próprio não nega e que argumentou que o país assumiu em termos históricos — o chefe do executivo sublinhou que é necessário “aprender erros da História”. E que, por isso, a liderança ucraniana não pode aceitar um “acordo fraco”.
Antes de chegar a esse ponto, a Ucrânia “tem de estar na posição mais forte para que possa negociar de uma posição de força”, defendeu Keir Starmer. O primeiro-ministro britânico vai trabalhar juntamente com França e com outros países para num “acordo para terminar com as hostilidades”, apresentando-o depois à administração Trump. “Uma paz justa é positiva para todos.”
1. Manter pressão económica sobre a Rússia
Para esse plano de paz, Keir Starmer apresentou quatro pontos essenciais. Um deles, unânime entre os 18 líderes mundiais europeus (e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, que também esteve presente na cimeira), é que se manterá a “pressão económica” à Rússia com as sanções impostas ao país, assim como se “manterá a ajuda militar” à Ucrânia.
Neste sentido, o líder do executivo britânico adiantou que o país assinará um “novo acordo” com a Ucrânia no valor de 1,6 mil milhões de libras (cerca de 1,94 mil milhões de euros) para que Kiev compre cinco mil mísseis de defesa aérea. “Vão ser produzidos em Belfast e vão contribuir para a defesa de infraestruturas críticas na Ucrânia”, sublinhou Keir Starmer.
2. Paz duradoura e proteção da soberania e da segurança da Ucrânia
O líder britânico enfatizou, como segundo ponto, que o acordo de paz tem de ser “justo” e “duradouro”, protegendo a “soberania e a segurança da Ucrânia”. Deixou igualmente claro que a “Ucrânia deve estar na mesa das negociações”.
Olhando para o futuro — e em caso de acordo —, os aliados vão “continuar a fortalecer as capacidades de Defesa para deter qualquer invasão”. Keir Starmer disse mesmo que o “trabalho pesado” terá de ser responsabilidade da Europa, adiantando que haverá uma coligação para “defender um acordo na Ucrânia para garantir a paz”.
3. Tropas de manutenção de paz na Ucrânia
Essa coligação, o terceiro ponto apresentado pelo primeiro-ministro britânico, terá como um dos principais pontos de discussão os esforços das forças de manutenção de paz após a assinatura de um acordo de cessar-fogo. Nesse cenário, o Reino Unido terá, segundo Keir Starmer, “tropas no terreno e aviões no ar”.
4. Apoio dos Estados Unidos é imprescindível
O quatro ponto prende-se com o facto de que todos os esforços para a apoiar a Ucrânia devem ter, salientou o primeiro-ministro britânico, “um forte suporte dos Estados Unidos da América”. “Estamos a trabalhar com os EUA nessa questão”. Garantindo que o trabalho “em conjunto” entre os dois lados do Atlântico vai continuar, Keir Starmer assegurou que os EUA são “aliado confiável”. “São um aliado importante e confiável.”
“O propósito do plano é ter o apoio dos EUA e foi por isso que eu falei com o Presidente norte-americano ontem à noite [sobre isso]”, destacou ainda o primeiro-ministro do Reino Unido.
Na cimeira, estiveram representados os chefes de Estado 15 países europeus (Espanha, França, Alemanha, Itália, Polónia, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Noruega, Ucrânia, Roménia, Países Baixos, Chéquia e Turquia), juntamente com o primeiro-ministro canadiano. Estiveram ainda presentes o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.