O grupo de extrema-direita “Habeas Corpus” interrompeu na noite desta quinta-feira um evento da Ordem dos Advogados, em Lisboa, que tratava dos direitos da comunidade LGBTI+. Testemunhos descrevem gritos, ofensas, discurso de ódio e saudações nazis e a bastonária Fernanda de Almeida Pinheiro já informou que a Ordem vai avançar com uma queixa-crime.
Segundo o jornal Público, foi poucos minutos depois do início da conferência, “Igualdade em Construção: Direitos Humanos de Pessoas LGBT+”, que entre “cinco a sete” membros do grupo tentaram boicotar a reunião. Djalme dos Santos, um dos líderes da “Habeas Corpus”, interrompeu o moderador da conversa, Francisco Granja de Almeida, diringindo-se ao público para denunciar o que considerava ser uma “pouca vergonha”.
Em declarações à Antena 1, a advogada que lidera a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (CDHOA), Cristina Borges de Pinho, afirma que foram 1o minutos de discurso de ódio, em que os membros do grupo gritavam que a sessão organizada “normalizava a homossexualidade” e que estariam a “instrumentalizar as crianças”, embora estas não estivessem presentes.
Ao Público e à RTP testemunhas revelaram ainda que, antes de terem sido expulsos, os membros do grupo fundado pelo ex-juíz Rui da Fonseca e Castro realizaram, várias vezes, o gesto da saudação nazi. A conferência retomou após quinze minutos da pausa.
A Ordem dos Advogados adiantou que os membros foram expulsos “depois de muita pressão” sendo que alguns foram identificados por agentes da PSP, e que a Ordem vai avançar com uma queixa-crime.
Nas redes sociais, o grupo publicou o vídeo do momento em que um dos membros interrompia o orador, enquanto os restantes aplaudiam.
O mesmo grupo já tem invadido várias apresentações de livros e eventos relacionados com a comunidade LGBTI+.
Apresentação de livro de Mariana Jones interrompida por membros da “Habeas Corpus”
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