O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou, esta quarta-feira, a imposição de tarifas de 25% sobre importações de automóveis, com objetivo de fomentar a produção doméstica. Em declarações aos jornalistas, o líder da Casa Branca defendeu que a medida levará a um “tremendo crescimento da indústria automobilística”, garantindo já haver fabricantes a desejarem investir nos EUA. “Já estão à procura de locais”, atirou, citado pelo New York Times. A medida entra em vigor a 2 de abril, segundo Trump, e a administração pretende começar a recolher a receita fiscal logo no dia a seguir.
Trump afirmou no passado que as tarifas sobre importações de automóveis seriam uma política marcante da sua presidência, apostando que os fabricantes estrangeiros vão deslocalizar produção para os Estados Unidos, para manter acesso competitivo ao mercado. Mas a cadeia logística automóvel é global e os fabricantes de automóveis norte-americanos e estrangeiros com fábricas no país ainda dependem de peças feitas no Canadá, México e outras nações, pelo que os preços dos automóveis podem aumentar e as vendas podem diminuir, até novas fábricas estarem operacionais, refere a agência AP. Trump, nas declarações desta quarta-feira, segundo a imprensa norte-americana, defendeu que os preços vão cair.
As tarifas automóveis fazem parte de uma reformulação ampla das trocas comerciais globais por Trump, que planeia impor em 2 de abril o que chama de taxas “recíprocas”, que corresponderiam às cobradas por outras nações a exportadores norte-americanos.
Trump já impôs tarifas de 20% sobre todas as importações da China e de 25% ao México e ao Canadá. Partes das tarifas sobre o México e o Canadá foram suspensas, incluindo os impostos sobre os automóveis, depois de os fabricantes de automóveis se terem oposto e de Trump conceder-lhes um adiamento de 30 dias, que deverá expirar em abril. O Presidente também impôs tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, removendo as isenções dos seus impostos anteriores de 2018 sobre os metais. Também planeia aplicar tarifas sobre chips de computadores, medicamentos, madeira e cobre.
Trump pode implementar tarifas sobre as importações de cobre dentro de semanas
Os seus impostos correm o risco de desencadear uma guerra comercial global mais vasta, com uma escalada de retaliações, prejudicando potencialmente o crescimento económico e aumentando os preços para as famílias e as empresas, uma vez que alguns dos custos dos impostos são transferidos pelos importadores. Quando a União Europeia retaliou com planos para aplicar uma tarifa de 50% sobre as bebidas espirituosas norte-americanas, Trump respondeu planeando um imposto de 200% sobre as bebidas alcoólicas provenientes da UE.
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União Europeia lamenta decisão e promete vai proteger os seus interesses
Logo após o anúncio do líder norte-americano, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lamentou a decisão, garantindo que a União Europeia vai proteger os seus interesses. “Lamento profundamente a decisão dos EUA de impor tarifas sobre as exportações automóveis europeias”, destacou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, num comunicado.
A responsável da Comissão Europeia garantiu que irá avaliar este anúncio de Trump, bem como “outras medidas que os EUA estão a prever para os próximos dias”. “A UE continuará a procurar soluções negociadas, salvaguardando ao mesmo tempo os seus interesses económicos”, frisou. “Como uma grande potência comercial e uma comunidade forte de 27 Estados-membros, protegeremos conjuntamente os nossos trabalhadores, empresas e consumidores em toda a União Europeia”, acrescentou.
Von der Leyen frisou que a indústria automóvel “é um impulsionador da inovação, competitividade e empregos de alta qualidade, através de cadeias de abastecimento profundamente integradas em ambos os lados do Atlântico”. Para a política alemã, as “tarifas são impostos — maus para as empresas, piores para os consumidores, tanto nos EUA como na União Europeia”.