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André Ventura defendeu esta segunda-feira que a suspeita de desvios de fundos públicos deve ser suficiente para abdicar de uma candidatura a um cargo eleito. A análise foi feita em declarações aos jornalistas, em Setúbal, quando foi questionado sobre a condenação pelo Tribunal Penal de Paris de Marine Le Pen, num caso de desvio de fundos europeus. A sentença impede Le Pen de se candidatar às eleições presidenciais francesas de 2027.
O líder do Chega começou por reconhecer que não conhece “o julgamento a fundo” e que não acompanhou o caso “como se fosse em Portugal”, mas fez paralelos com outros casos — internacionais e nacionais — para deixar duas considerações.
A primeira foi “o risco” de os tribunais serem utilizados como “arma de arremesso para substituir a escolha dos eleitores”. “[Corremos] o risco de que as inelegibilidades se se tornem uma forma de afastar opositores políticos, já vimos isso no Brasil”, declarou Ventura. “Espero que a Justiça tenha a noção que não deve substituir a democracia”, continuou. A posição é partilhada com outros membros do Chega, que já se tinham pronunciado sobre o caso e com os restantes líderes da extrema-direita europeia, como Matteo Salvini, Santiago Abascal e Viktor Orbán. A deputada Rita Matias declarou mesmo que “cada líder político que não conseguirem derrotar nas urnas, vão eliminar pela via judicial” e acrescentou, referindo-se ao caso francês, “Liberdade, igualdade e fraternidade uma ova.”
Contudo, a segunda consideração de Ventura revelou-se menos próxima dos seus pares. “Quem tem suspeitas de desvios de dinheiros públicos não se deve recandidatar. Se eu acho que Luís Montenegro não se deve recandidatar com as suspeitas que há, de que esteve a receber dinheiro enquanto era primeiro-ministro, eu não posso dizer o contrário em relação a alguém que é suspeito de ter desviado dinheiro público”, afirmou, elaborando que, apesar de ser aliado de Le Pen, não se pode “ter dois pesos e duas medidas“. “Quem é suspeito de desviar dinheiro público, em nenhum lugar do mundo deve ser elegível”, repetiu posteriormente.
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André Ventura admitiu que “a decisão de hoje [segunda-feira] não é boa para o grupo dos Patriots”, os Patriotas pela Europa, a família política europeia que partilha com a União Nacional de Le Pen, mas recusou comentar um possível fim da carreira política da deputada da extrema-direita francesa.
Além disso, o líder do Chega nunca se referiu a Marine Le Pen como culpada dos crimes por que foi condenada, sublinhando apenas que as “suspeitas” é que devem impedir a recandidatura. E acrescentou que a aliada francesa devia avançar com a sua defesa em tribunal e que a sua posição é apenas o padrão que impõe enquanto líder do Chega. “A Marine Le Pen tomará a decisão que entender, eu estou a dizer-vos o que o André Ventura faria num caso destes”, rematou.
Apesar de concordar na questão da perseguição política, a posição de Ventura parece distanciar-se da de outros membros do partido, que esta segunda-feira já tinham admitido continuar a apoiar a candidatura presidencial de Le Pen, mesmo perante a condenação em tribunal.