Mariana Vieira da Silva volta a ser a cabeça de lista dos candidatos do PS pelo círculo eleitoral de Lisboa, tal como aconteceu nas legislativas de há um ano. Mas desta vez, Pedro Nuno Santos acrescentou um nome polémico aos candidatos pelo distrito onde o PS mais elege: Hugo Mendes, o antigo secretário de Estado das Infraestruturas que esteve no centro da polémica indemnização a Alexandra Reis — o caso no epicentro da derrocada do pedronunismo em 2022.
A lista foi aprovada esta segunda-feira à noite, numa reunião da comissão política federativa do PS Lisboa, já inclui os nomes indicados pelo secretário-geral do PS (um terço dos nomes em lugares elegíveis, incluindo o do cabeça de lista) e será votada pelo PS nacional na próxima quarta-feira, bem como as listas de candidatos pelos outros círculos eleitorais. Nos candidatos que o partido apresenta por esta frente constam muitas repetições face à lista de 2024 sendo, no entanto, notórias as ausências de Fernando Medina e Marcos Perestrello.
No caso de Medina, o socialista tinha informado esta segunda-feira que não estava disponível para voltar a ser deputado à Assembleia da República, depois de há um ano ter avançado como terceiro na lista também encabeçada por Mariana Vieira da Silva. Já Marcos Perestrello, que chegou a estar para ser apresentado como candidato do PS à Câmara de Cascais, voltará a ser candidato a deputado, mas não por Lisboa, círculo pelo qual foi sempre eleito (exceto na primeira vez, em que se candidatou por Beja).
Desta vez, Perestrello será cabeça de lista no círculo de Santarém, segundo apurou o Observador. Recorde-se que o partido não formalizou a regra, mas vários socialistas que eram candidatos a câmaras acabaram por anunciar a sua indisponibilidade para concorrerem nas listas a estas legislativas que inicialmente não estavam nos planos. No caso concreto de Perestrello, o seu nome não tinha chegado a ser apresentado, pelo que acabou por optar ficar pelo Parlamento, numa altura em que em outubro pode também ver renovado o mandato de presidente da Assembleia Parlamentar da NATO. O socialista era também apontado, nos últimos meses, como um nome provável para suceder a Aguiar Branco na presidência da Assembleia da República, na troca a meio do mandato que tinha ficado combinada entre PS e PSD na altura da eleição (então intrincada) do cargo.
Medina fora das listas de deputados mas diz estar “totalmente empenhado na vitória” do PS
Pedro Delgado Alves será o segundo nome da lista de candidatos a deputados do PS por Lisboa, logo seguido de Miguel Cabrita, Edite Estrela, Sérgio Sousa Pinto, Pedro Vaz, Isabel Moreira, Ricardo Lima, Miguel Costa Matos, Ana Paula Bernardo, André Rijo, Davide Amado, Maria Begonha, Hugo Mendes e Pedro Pinto.
Há um ano, o PS elegeu 15 deputados por este círculo o que faz com que o antigo secretário de Estado das Infraestruturas que se demitiu no âmbito do caso da indemnização a Alexandra Reis, Hugo Mendes, esteja em lugar elegível.
Mendes tem estado a trabalhar como assessor de Pedro Nuno Santos, desde que o socialista foi eleito líder, e passa agora para a lista de candidatos a deputados. Recorde-se que foi a primeira baixa no gabinete de Pedro Nuno nas Infraestruturas após as notícias sobre a indemnização de 500 mil euros paga à ex-administradora da TAP na saída da companhia, logo seguida da demissão do próprio ministro, em dezembro de 2022.
O colaborador próximo de Pedro Nuno Santos — já tinha sido seu secretário de Estado nos Assuntos Parlamentares (2015-2019), adjunto e chefe de gabinete no Ministério das Infraestruturas e da Habitação– foi também o governante que pediu à ex-CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener, para alterar um voo do Presidente da República — no que foi entendido como um favor político.
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Em março de 2022, altura em que a comitiva presidencial precisaria de voltar de Maputo dois dias mais tarde do que estava previsto, a então CEO perguntou à tutela o que deveria fazer, nomeadamente ao secretário de Estado Hugo Mendes, num email de resposta recebeu um aviso: “Não podemos correr o risco de perder o apoio político do Presidente da República”.
Esse mail foi revelado durante a comissão parlamentar de inquérito à TAP e, na longa audição durante estes trabalhos, Hugo Mendes negou ter dado instruções para a alteração do voo presidencial na companhia e disse que o que escreveu se tratara apenas de “uma opinião infeliz“. Na altura em que este email foi conhecido o então primeiro-ministro António Costa fez declarações onde classificou de “gravíssimo” o episódio, defendendo que isso seria motivo de demissão “na hora”.