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Donald Trump avisou várias vezes, durante a campanha eleitoral, que estava nos seus planos avançar com mais taxas alfandegárias contra a China e contra outros parceiros comerciais. Ainda assim, agora que o Presidente dos EUA anunciou um histórico plano de tarifas agravadas contra dezenas de países, vários multimilionários (que o apoiaram na campanha) estão a mostrar-se insatisfeitos com a política económica da Casa Branca nestes primeiros meses de mandato.

“Não foi nisto que votámos”, escreveu Bill Ackman, presidente da gestora Pershing Square e uma das vozes mais mediáticas em Wall Street. Na rede social X, Ackman escreveu que Trump está a ser “mal aconselhado” e, por isso, está a “mandar a economia abaixo”.

“O Presidente Donald Trump não é economista e, por isso, confia nos seus conselheiros para fazerem estes cálculos que lhe permitam conceber estas políticas”, afirmou Ackman na segunda-feira, acrescentando que “a economia global está a ser derrubada por causa de má matemática”. O mundo está em risco de cair num “inverno nuclear económico“, avisou.

A atividade empresarial é um jogo de confiança (…) e o Presidente está a perder a confiança dos líderes empresariais de todo o mundo. As consequências para o nosso país e para os milhões de cidadãos que apoiaram o Presidente serão severamente negativas. Não foi para isso que votámos. Ao impor tarifas maciças e desproporcionadas aos nossos amigos e inimigos e, assim, lançar uma guerra económica global contra o mundo inteiro de uma só vez, estamos a destruir a confiança no nosso país como parceiro comercial, como lugar para fazer negócios e como mercado para investir capital”, escreveu Bill Ackman, que tem uma fortuna estimada em quase 9 mil milhões de dólares.

Além de Bill Ackman, também Jamie Dimon, presidente do banco JPMorgan Chase, alertou na segunda-feira que as tarifas lançadas por Trump ameaçam aumentar a inflação, provocar uma recessão na economia mundial e, também, enfraquecer a posição económica e geopolítica dos EUA no mundo.

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“Se este menu tarifário causará ou não uma recessão ainda é uma questão em aberto, mas é certo que irá abrandar o crescimento”, escreveu Jamie Dimon, líder de um dos maiores bancos do mundo, em declarações que, ainda assim, foram mais suaves do que as feitas por Ken Fisher. O fundador e presidente executivo da Fisher Investments defendeu que “o que Trump revelou na quarta-feira é estúpido, errado, arrogante ao extremo, ignorante e ataca um problema inexistente com as ferramentas erradas”.

Outro multimilionário, Stanley Druckenmiller, fundador da firma de investimentos Duquesne Family Office, não se mostrou surpreendido pelo facto de Trump estar a lançar taxas alfandegárias mas não concorda com os valores envolvidos: “Não apoio tarifas superiores a 10%”, afirmou Druckenmiller, criticando que a Casa Branca esteja a lançar taxas que ascendem a 50% em alguns países, acumulando-se com outras tarifas aplicadas a produtos específicos.

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