O Papa Francisco preparou pessoalmente as meditações que vão ser lidas durante a celebração anual da Via-Sacra em Roma — que se realiza na Sexta-Feira Santa —, embora não seja ainda certo se Francisco vai ou não comparecer pessoalmente nas celebrações, revelou esta terça-feira o Vaticano. Tudo indica que não estará, uma vez que já delegou num cardeal a tarefa de presidir à celebração e já optou por não estar presente nos últimos dois anos, devido ao frio da noite e à sua saúde respiratória.

Habitualmente realizada no Coliseu de Roma, a Via-Sacra da Sexta-Feira Santa é uma das mais conhecidas e simbólicas celebrações anuais com a presença do Papa. Contudo, nos últimos dois anos, o Papa Francisco não esteve presencialmente no Coliseu: em 2023, poucos dias depois de ter saído do hospital, onde tinha estado internado com uma bronquite, cancelou a presença devido ao frio; em 2024, pela segunda vez consecutiva, Francisco acompanhou a celebração à distância para “preservar a sua saúde”.

No último domingo, 13 de abril, com as celebrações do Domingo de Ramos, milhões de católicos por todo o mundo deram início à Semana Santa, que culmina no próximo domingo com as celebrações da Páscoa — e que é o mais importante período celebrativo do ano para a Igreja Católica.

Papa afinal não preside à Via-Sacra esta sexta-feira para “preservar a sua saúde”

A participação do Papa Francisco nas celebrações está fortemente condicionada ao seu estado de saúde: entre meados de fevereiro e o final de março, Francisco esteve internado no hospital Gemelli, em Roma, com uma pneumonia e com um quadro clínico várias vezes descrito como “crítico” pelo Vaticano. Segundo revelaram posteriormente os seus médicos, Francisco esteve pelo menos duas vezes entre a vida e a morte.

O Papa teve alta a 23 de março e o Vaticano tem dito várias vezes que só mais perto de cada celebração será anunciada a presença ou não do Papa.

O que é certo é que Francisco já escolheu os vários cardeais nos quais delegou a presidência das várias celebrações pascais. Na manhã de quinta-feira, a missa crismal será presidida pelo cardeal Domenico Calcagno; na tarde de quinta-feira, acontece a celebração da ceia do Senhor, que evoca a Última Ceia e a instituição da eucaristia (e que no passado levou o Papa Francisco a realizar o lava-pés em prisões romanas, por exemplo).

Na sexta-feira, cabe ao cardeal Claudio Gugerotti a presidência da liturgia da Paixão na Basílica de São Pedro, enquanto o vigário-geral para a diocese de Roma, o cardeal Baldo Reina, presidirá à Via-Sacra no Coliseu.

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O Papa Francisco teve alta no dia 23 de março e recebeu indicações expressas dos seus médicos para respeitar um período de pelo menos dois meses de estrito descanso. Contudo, como observava esta semana o jornal católico Crux, Francisco parece ter interpretado as ordens dos médicos como um mero conselho, já que nas últimas semanas se tem multiplicado em aparições surpresa em público — que têm sido lidas por vários analistas do Vaticano como um sinal de que Francisco, mesmo em convalescença, pretende passar a imagem de que é ele quem continua a governar a Igreja Católica.

A primeira aconteceu na semana passada: Francisco surgiu na Praça de São Pedro, de cadeira de rodas, por apenas 10 minutos, no final da missa de encerramento do Jubileu dos Doentes. Três dias depois, recebeu em audiência privada os reis de Inglaterra, Carlos III e Camila, que se encontravam em Roma a celebrar o 20.º aniversário de casamento.

Papa Francisco volta a aparecer em público quase dois meses depois

No dia seguinte, surgiu na Basílica de São Pedro para rezar junto ao túmulo de Pio X — uma aparição que gerou grande surpresa pelo facto de Francisco ter surgido sem as habituais vestes papais, apenas com uma camisola branca, calças pretas e com um cobertor. No sábado, Francisco visitou a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma — a igreja onde pretende, um dia, ser sepultado. Por fim, no Domingo de Ramos, voltou a aparecer na Praça de São Pedro para deixar uma mensagem aos fiéis.