O vídeo começa com um homem de casaco a atravessar as barreiras da estação de Stratford do Metro de Londres, entrando sem comprar bilhete. Assistindo a isto, o deputado britânico do Partido Conservador, Robert Jenrick, corre para o confrontar: “Acha que é correto não pagar?”.

“Porque é que não volta para trás e vai pagar?”, insistiu ainda, falando com o mesmo passageiro. A um certo ponto, Jenrick deixa a entender que está a ser ameaçado com uma faca, apesar de não se ver ou ouvir a pessoa a fazer nada.

A outra pessoa, o deputado pergunta: “Não quer voltar atrás e pagar como toda a gente?“. Dois dos passageiros abordados foram levados pelo deputado até um grupo de funcionários da empresa pública gestora Transport For London (TfL), aos quais Jenrick os denunciou.

As imagens, publicadas na rede social X, serviram para o conservador — que também é ministro-sombra para a Justiça — chamar à atenção para a fuga ao pagamento do bilhete e criticar a gestão do presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, a quem acusa de “destruir uma cidade orgulhosa”.

“As violações da lei estão fora de controlo. Ele não está a agir. Então, eu agi“, sublinhou o deputado, apontando o dedo ao atual líder autárquico, que pertence aos rivais do Partido Trabalhista.

Falha de energia no metro de Londres suspendeu várias linhas

“Cerca de uma em cada 25 pessoas que utilizam os transportes públicos de Londres não está a pagar por os usar”, acusou o deputado no vídeo, confessando que “é irritante ver tanta gente a infringir a lei e a sair impune“, criticando ainda a atuação dos agentes do metro na estação por deixarem entrar as pessoas. “O Estado precisa de se reafirmar e ir atrás de quem quebra a lei“, insistiu.

O vídeo foi criticado pelo sindicato que representa os trabalhadores da TfL — a Associação do Pessoal Assalariado dos Transportes (TSSA) — que considerou a atuação de Jenrick como uma “intervenção performativa com comentários bizarros e ofensivos” e que não é necessária.

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“O que precisamos é de uma polícia de transportes com financiamento total, de mais equipas de controlo dos lucros do metropolitano de Londres e de um plano sério para combater as causas da fuga ao pagamento do título”, afirmou a secretária-geral da TSSA, Maryam Eslamdoust, citada pelo The Telegraph.

“Há muito que afirmamos que esta fuga deve ser combatida através de um investimento adequado no pessoal e na aplicação da lei e não por deputados que se armam em heróis nas deslocações pendulares“, referiu ainda.

O jornalista da rádio LBC, Henry Riley, noticiou na rede social X que Jenrick terá “quebrado as regras da TfL” por não ter autorização para poder filmar dentro da estação do metro. Em resposta, o deputado disse que iria “aguardar a citação judicial da TfL, ao contrário dos que se esquivam de pagar o bilhete”.

TfL diz que não-pagantes são “minoria”

Em fevereiro do ano passado, a Câmara de Londres subiu o valor das multas de 95 para 118 euros para tentar diminuir o número de passageiros que viajam sem título de transporte. Entre abril de 2023 e março de 2024, esta taxa foi de 3,8%, segundo a BBC.

Em fevereiro deste ano, Sadiq Khan, citado pelo Telegraph destacou que, depois da introdução das novas penalizações, houve uma descida ligeira da percentagem no trimestre seguinte, com 3,4% dos passageiros a andarem sem bilhete entre março e junho de 2024.

“Esta é uma primeira indicação de que o aumento da multa para 118 euros está a provar ser um dissuasor eficaz”, celebrou o presidente da Câmara na Assembleia Municipal da cidade.

Mesmo com esta diminuição, o valor registado continua a ser mais do dobro do objetivo da Transport for London, que quer chegar aos 1,5% até 2030. Ainda assim, Khan tinha destacado naquela altura o facto de a taxa continuar “a ser inferior a muitas cidades comparáveis na Europa e na América do Norte“.

“A esmagadora maioria dos nossos clientes paga o preço da viagem, mas uma minoria tenta andar sem um bilhete válido“, tinha dito, no comunicado sobre o aumento das multas, o diretor de segurança da TfL, Siwan Hayward, que criticou ainda assim a prática, afirmando que “rouba aos londrinos o investimento vital num transporte seguro, frequente e fiável”.