Acabou o suspense: Marcelo Rebelo de Sousa recebe da mão de Luís Montenegro os nomes que farão parte do novo Governo, na tarde desta quarta-feira, de forma a que a tomada de posse dos novos ministros aconteça já na quinta-feira, pelas 18 horas. O calendário foi confirmado pelo Presidente da República, que saiu da Feira do Livro, onde almoçou, para estar pronto e à espera do primeiro-ministro em Belém. Mas antes ainda viveu um momento de tensão com uma trabalhadora do certame que se colocou ao seu lado com um cartaz a dizer “Há um genocídio na Palestina”.

Logo de manhã, surgiu a informação de que Marcelo Rebelo de Sousa desistira da ideia de viajar até à Alemanha para assistir, esta quarta-feira, ao jogo da seleção nacional nas meias-finais da Liga das Nações, pelas 20h. Ora conforme o Observador confirmou a viagem não chegou a estar marcada, mas deixou de estar nos planos do Presidente graças à intenção de dar rapidamente posse ao Governo (como o Observador noticiou, queria fazê-lo até sexta-feira, 6 de junho).

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]

Na Feira do Livro, Marcelo confirmou estas informações: “Obviamente entre a formação do Governo ou o jogo de Portugal era mais importante a formação do Governo”, disse aos jornalistas, adiantando também que a tomada de posse deverá “provavelmente” incluir apenas os ministros — Belém calcula que a tomada de posse dos secretários de Estado possa acontecer na sexta-feira.

Montenegro deverá, assim, ir a Belém da parte da tarde, antes do jogo da seleção, que está marcado para as 20h. Também esta quarta-feira a conferência de líderes parlamentares que estava agendada foi adiada, ainda sem nova data definida. Conforme disseram várias fontes partidárias ao Observador, a ideia é esperar pela tomada de posse do Governo, uma vez que não pode haver próxima sessão plenária sem Executivo em funções.

Momento tenso com defensora da Palestina: “Não me agarre, senhor Presidente”

Na feira, Marcelo disse esperar que o seu sucessor ou sucessora goste de livros, comeu um cachorro quente e passeou pelas bancas. Mas não escapou a um momento mais tenso, quando foi interpelado por uma trabalhadora da Feira do Livro que trazia um cartaz em defesa da Palestina — “Há um genocídio na Palestina”, lia-se — e que acusou os políticos, incluindo o Presidente, de “inação” neste tema.

O momento inusitado intensificou-se quando a mulher começou a dizer que Marcelo é um dos políticos que “nada têm feito” e o Presidente se manteve atrás dela, acrescentando explicações (“Estamos à espera de uma posição conjunta”) e tentando pôr o braço por cima dos ombros e reter a mulher para falar sobre o tema.

“É preciso fazer muito mais. O Presidente não fez nada, o primeiro-ministro não fez nada”, foi acusando a mulher, pedindo a todas as pessoas “que se importam com crianças” que apareçam numa manifestação marcada para esta tarde no Largo do Camões, em Lisboa. Entretanto, Marcelo continuava a agarrá-la e a tentar responder, e quanto tentava retê-la, com a mão no pescoço, a mulher acabou por protestar: “Não, não me agarre, senhor Presidente, não me agarre pelo pescoço”.

Com Marcelo a largar a mulher mas dizendo que esta teria de o ouvir, a defensora da Palestina disse aos jornalistas que não ouviria por já “conhecer as posições do Presidente”.

Aos jornalistas, Marcelo disse depois que “Portugal pela primeira vez mudou o sentido de voto nas Nações Unidas e votou a favor de a Palestina ser membro de pleno direito. Já disse várias vezes que está em conjunto com outros Estados europeus a estudar e a ponderar para haver uma atitude conjunta sobre essa matéria”.