Munido de uma chave de fendas, um português de 32 anos ameaçou, em outubro do ano passado, uma pessoa na cidade de Huelva, em Espanha, enquanto gritava Allahu Akbar [Deus é grande]. Já depois de ter sido libertado, as autoridades espanholas concluíram que o ataque tinha sido motivado por radicalismo islâmico e emitiram um mandado de detenção, esta quinta-feira cumprido pela Polícia Judiciária.

O processo de radicalização jihadista começou quando estava no Reino Unido, de onde foi expulso depois de ter cometido vários crimes não associados a terrorismo. De regresso a Portugal, há cerca de cinco anos, começou a ser monitorizado pela PJ, garante fonte ligada à operação ao Observador.

Essa vigilância nunca levou à detenção do indivíduo porque nunca foram encontrados dados que permitissem concluir que estaria a ser preparado algum ataque. No entanto, em outubro passado, acabou por deslocar-se de Setúbal, onde vivia com a avó, para Huelva, onde acabou por ser detido em flagrante delito pela Guardia Civil por ameaçar uma pessoa com uma chave de fendas.

Apesar de ter sido libertado pelas autoridades espanholas, a análise ao seu telemóvel encontrou pesquisas sobre conteúdos do Estado Islâmico e levou a Guardia Civil a determinar que o ataque tinha sido premeditado e com motivações terroristas.

O contacto entre Guardia Civil e Polícia Judiciária intensificou-se e a autoridade portuguesa explicou que este homem estava a ser monitorizado há alguns anos e já tinham sido registados “comportamentos violentos, mas nunca motivados por terrorismo”. Esta ação preventiva de acompanhamento do suspeito e a troca de informações entre congéneres ibéricas levou a Guardia Civil a emitir um mandado de detenção europeu.

Informada imediatamente, a PJ mobilizou-se para cumprir o mandado na noite de quinta-feira. O detido, indiciado pela prática de infrações terroristas e adesão a grupo terrorista, será presente, esta sexta-feira, a primeiro interrogatório judicial de arguido detido no Tribunal da Relação.

Fonte da PJ adiantou ao Observador que as autoridades espanholas devem pedir a extradição do cidadão português, para que seja julgado pelo crime tentado em Huelva.

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