O autarca de Torre Pacheco, Pedro Ángel Roca, garantiu, esta quinta-feira, que a situação no Bairro de San Antonio está “totalmente normalizada”. “Espero que hoje tenhamos uma noite normal. Digo uma noite porque o dia está a ser normal. As pessoas estão a trabalhar, o comércio está aberto — desde comércio nacional até ao de origem marroquina ou indo. Está tudo normalizado”, sublinhou em declarações aos jornalistas.

Na semana passada, um reformado de 68 anos, Domingo Tomás Martínez, foi brutalmente agredido em Torre Pacheco por um grupo de jovens de origem marroquina, que gravou a agressão para a publicar nas redes sociais. Este incidente motivou a organização de várias manifestações no sul de Múrcia, coordenadas em grupos de Telegram (com base em informações muitas vezes descontextualizadas ou falsas). Os protestos ganharam contornos violentos e o bairro de San Antonio — onde vive a maior parte da população imigrante de Torre Pacheco — tornou-se palco de motins racistas de extrema-direita.

Questionado sobre a presença de polícias esta localidade de Múrcia, Ángel Roca afirmou que as autoridades vão se manter em Torre Pacheco “por alguns dias”. “Hoje vamos ter mais uma reunião técnica com a Guarda Civil e com a delegada do governo para saber o que pensam. Pelo que me dizem, é possível tê-la [Guarda Civil] mais alguns dias, até ao fim-de-semana”.

Pedro Ángel Roca acrescentou, também, que as pessoas não sentem medo, porque tem observado “muitas a passear pelas ruas”. “As pessoas estão normais. O que se passou foi que tivemos uma noite de tensão e as pessoas, por precaução, não saíram tanto à rua”. O autarca deseja voltar à normalidade e apela aos moradores para que “façam uma vida normal”.

“Convoquei uma reunião extraordinária da Junta Local de Segurança para a próxima segunda-feira para falar e analisar o que aconteceu”, anunciou Pedro Ángel Roca, acrescentando que vai ser realizado um estudo para que esta situação “não volte a acontecer e para que a segurança da cidade poder estar totalmente garantida”. “O que queremos é ter a sensação de segurança e não ter essa sensação de insegurança de que, quando chega a noite, não sabemos o que pode surgir”, concluiu.