Os humoristas Gilmário Vemba, Hugo Sousa e Murilo Couto já regressaram a Lisboa depois de terem sido impedidos de entrar em Maputo este domingo e terem ficado retidos no aeroporto da capital moçambicana, onde passaram a noite. Os três iam apresentar o espetáculo Tons de Comédia no Centro Cultural China Moçambique, mas viram-se forçados a cancelar.
À chegada a Lisboa, Gilmário Vemba disse aos jornalistas que estavam reunidas “todas as condições” para a entrada em Moçambique e lembrou que já fez várias vezes espetáculos com o promotor deste evento, sem ter tido problemas do género. O Serviço Nacional de Migração (Senami) moçambicano justificou a recusa de entrada com o facto de terem o visto de turismo quando pretendiam realizar um espetáculo de comédia. Em 2022, foram feitas alterações à lei de migração para a emissão de vistos para atividades culturais. “A lei foi mudada em 2022, eu estive lá no ano passado com o mesmo promotor e não tive problemas”, salientou Gilmário.
Questionado sobre se a recusa de entrada pode ter tido uma “motivação política”, uma vez que Gilmário Vemba apoia Venâncio Mondlane (e o próprio político tinha levantado esta possibilidade), o humorista disse que não consegue “alegar”. “Da minha parte, não consigo afirmar que seja isso. Alegaram que não tínhamos o tal visto. Se sim, se não, não consigo alegar [sobre motivações políticas]. Consigo apenas dizer o que o me foi dito no aeroporto”, respondeu, acrescentando que falou com Mondlane e salientando que receberam um tratamento “completamente desnecessário”.
“O tratamento foi desumano. O aeroporto de Moçambique não tem condições para albergar pessoas”, afirmou Gilmário Vemba. Em comunicado, a agência responsável pelo espetáculo já tinha mencionado que o local não tinha “condições adequadas”, falando em “falta de água, comida ou comodidade mínima” para que os humoristas ali pernoitassem. Mas foi o que aconteceu, com a “produção local” a ter conseguido providenciar-lhes “comida e bebida”.
Os humoristas dizem que podem tentar voltar a Moçambique, para realizar o espetáculo, se “houver garantias que nada disto acontece outra vez”. Questionado sobre quem poderá dar essas garantias, Gilmário Vemba mostrou não saber: “Garantias já não sei quem é que nos pode dar porque o produtor fez as garantias todas — e como disse já lá estive com o mesmo produtor… Desta vez, não sei o que aconteceu”.
Além disso, os humoristas notaram que os problemas que tiveram em Moçambique não se registaram em mais nenhum dos países onde já estiveram com o espetáculo. A digressão mundial arrancou a 29 de março, em França. Seguiram-se Irlanda, Reino Unido, Suíça, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola. Agora, após uns dias em Lisboa e já no início de agosto, Gilmário Vemba, Hugo Sousa e Murilo Couto vão rumar ao Brasil, passando pelas cidades de Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Barueri, Guarulhos, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife.
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