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Washington DC "está de novo sob controlo federal". 5 perguntas e respostas sobre a mobilização militar para a capital dos EUA

Este artigo tem mais de 1 ano

Donald Trump anunciou no início da semana o deslocamento de tropas da Guarda Nacional para Washington DC para combater a criminalidade da capital, acusando a polícia local de corrupção.

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Getty Images

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Centenas de soldados da Guarda Nacional e agentes do FBI estão a ser mobilizados para Washington DC, depois da decisão de Donald Trump de colocar a polícia local sob o controlo federal. A presença dos militares tem sido discreta, mas a imprensa internacional avança que as operações devem arrancar com mais força a partir desta quinta-feira, 14 de agosto. Mas afinal por que é que o Presidente norte-americano quer federalizar a polícia local? O que as tropas que já chegaram a DC têm feito? Como a população está a reagir à chegada dos soldados? Cinco perguntas e respostas para entender a mobilização da Guarda Nacional e do FBI para a capital norte-americana.

Quando os soldados da Guarda Nacional chegaram a Washington DC?

Os primeiros veículos com soldados armados começaram a ser avistados nas ruas de Washington, especialmente em centros urbanos e pontos turísticos, na noite da passada terça-feira, 12 de agosto. De acordo com a BBC, espera-se que 800 soldados da Guarda Nacional e 500 agentes de segurança federais sejam deslocados para a capital — nos próximos dias devem chegar entre 100 e 200 soldados da Guarda Nacional, de acordo com Dave Butler, coronel do exército citado pelo New York Times.

Nos primeiros dias os soldados montaram pontos de verificação à porta de edifícios governamentais e tornaram-se uma atração para turistas, que pediram para tirar fotografias. Na segunda-feira à noite 23 pessoas já tinham sido detidas por agentes federais, de acordo com a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que numa conferência de imprensa explicou que os detidos são suspeitos de homicídio, crime com armas, tráfico de drogas, stalking, condução negligente e outros crimes. “É apenas o começo”, afirmou a responsável pela comunicação da administração Trump. Na terça-feira o diretor do FBI, Kash Patel, anunciou que 43 pessoas foram presas, sendo que os agentes federais auxiliaram em 18 prisões esta semana, com acusações que incluem posse ilegal de arma, assalto ou agressão.

Por que Donald Trump determinou o deslocamento das tropas?

Donald Trump anunciou na segunda-feira, dia 11, que iria determinar a mobilização dos soldados da Guarda Nacional. Numa partilha na Truth Social esta quinta-feira, dia 14, o Presidente norte-americano justificou a medida. “Washington, DC tem uma das taxas de criminalidade mais elevadas do mundo, mais do que muitos dos países mais violentos do terceiro mundo. A taxa de homicídios da cidade é superior à de locais notórios pela sua violência, como a Cidade do México, Bogotá, Islamabad e Adis Abeba — quase dez vezes superior à de Fallujah, no Iraque. Se DC fosse um estado, teria a maior taxa de homicídios de todos os estados dos Estados Unidos. A taxa de crimes violentos em DC agravou-se, e a taxa de homicídios praticamente dobrou em pouco mais de uma década — mas estas são apenas as estatísticas “oficiais” divulgadas pelas autoridades municipais corruptas“, alega Trump na publicação, afirmando que acredita que “os números reais são muitas vezes piores.”

epa12294010 US President Donald Trump (C) with US Defence Secretary Pete Hegseth (L) and US Attorney General Pam Bondi (R) addresses the media in the James S. Brady Press Briefing Room of the White House, Washington, DC, USA, 11 August 2025. President Trump is due to announce the deployment of the National Guard in Washington DC as part of a crime reduction strategy.  EPA/WILL OLIVER / POOL

▲ Donald Trump anunciou oficialmente o deslocamento das tropas federais na segunda-feira, dia 11 de agosto

WILL OLIVER / POOL/EPA

Além de criticar as forças de segurança locais, Trump direciona comentários à mayor. “Como o governo democrata de DC praticamente deixou de investigar, prender e processar a maioria dos crimes, as estatísticas publicadas nem sequer captam uma fração da violência real”, escreveu Trump, que diz que “as taxas de criminalidade REAIS são provavelmente cinco a dez vezes superiores às relatadas.”

Por fim, Trump afirma que Washington DC “agora está novamente sob controlo federal, como merece. A Casa Branca é que está no comando.” A decisão de Trump vem ao mesmo tempo em que a polícia procura o suspeito de um homicídio numa das zonas mais famosas da capital, Logan Circle, a menos de dois quilómetros da Casa Branca. Foi o 100.º homicídio em DC este ano, de acordo com a Fox News, e o tiroteio fez os serviços secretos norte-americanos intensificarem a segurança ao redor da casa do Presidente.

Apesar destas declarações, de acordo com dados da polícia metropolitana de Washington DC, a taxa de crimes violentos em DC caiu em 2024 para a mais baixa dos últimos 30 anos, e continua a reduzir este ano, sendo que está 26% mais baixa do que o mesmo período do ano passado. O FBI também regista uma queda, mas mais modesta: de 9%. O que não convence o presidente do sindicato dos polícias de DC. Gregg Pemberton considerea que o departamento de polícia está “a falsificar deliberadamente dados sobre o crime, criando uma falsa narrativa de crimes reduzidos enquanto as comunidades continuam a sofrer”.

Como reagiu a autarca de Washington DC?

Muriel Browser, a autarca democrata de Washington DC, disse aos jornalistas na segunda-feira que não ficou surpreendida com a decisão da administração Trump, “dada a retórica do passado”, e afirmou que o deslocamento de tropas federais poderia servir para o benefício da cidade. “O facto de termos mais agentes de segurança presentes nos bairros pode ser positivo”, afirmou, citada pela CNN. Apesar de democrata, Browser é conhecida por dialogar bem com os republicanos, e foi uma das pessoas que fez questão de parabenizar Donald Trump depois da vitória nas eleições, pelo que as suas declarações refletiam um tom mais contido. Contudo, no dia seguinte, a autarca mudaria o tom do discurso. 

Numa videoconferência com líderes comunitários na passada terça-feira, Browser disse que “é necessário que a comunidade se envolva, faça o que for preciso dentro do nosso espaço, na nossa linha, para proteger a nossa cidade, a nossa autonomia e as nossas leis locais“, afirmando ainda que é preciso “eleger uma câmara democrata que consiga parar este impulso autoritário“. Em resposta aos jornalistas sobre a sua relação com Trump, já esta quarta-feira, Browser destacou que como autarca de DC tem mais interação com o Presidente do que outros presidentes de câmara. “Vamos continuar a fazer os nossos trabalhos”.

De recordar que em junho, Donald Trump mobilizou a Guarda Nacional — que responde a ordens federais e não estaduais — para Los Angeles, na Califórnia, decisão que foi contestada pelo governador californiano, o democrata Gavin Newsom.

[Um homem desobedece às ordens dos terroristas e da polícia e entra sozinho na embaixada. Momentos depois, ouve-se uma enorme explosão. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto a embaixada turca em Lisboa e uma execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o quarto episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]

O que a Guarda Nacional vai fazer em Washington DC?

Apesar do anúncio ter sido feito na segunda-feira e os veículos e soldados já terem sido avistados na passada terça-feira, espera-se que as operações se iniciem efetivamente apenas esta quinta-feira, dia 14. De acordo com a ABC, a administração Trump ainda está a desenhar a task force, que será comandada pelo coronel das forças armadas Larry Doane. As tropas devem trabalhar com 100 a 200 soldados por turno, enquanto alguns dos agentes devem trabalhar em funções administrativas ou logísticas, como apoio à polícia local. O objetivo é aumentar a presença policial em zonas com monumentos federais. Se até agora as operações decorreram à noite e durante a madrugada, a partir desta quinta-feira espera-se que os soldados já estejam a circular pela cidade 24 horas por dia.

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▲ Agentes do Departamento de Segurança Interna abordam motoristas sem documentação em operação em Washington DC a 12 de agosto

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Equipas do Departamento de Segurança Interna fizeram um ponto de verificação esta quarta-feira à noite na região noroeste da cidade. Enquanto a polícia alega que a operação era de “rotina”, de acordo com a CNN, residentes afirmam que nunca viram uma mobilização policial como esta, comparando-a com ações de fiscalização de imigrantes ilegais do ICE. Na terça-feira os agentes federais já tinham abordado condutores para verificação de documentos.

Trump sinalizou esta quarta-feira que pretende pedir ao Congresso que estenda a permissão de federalização da polícia local para além dos 30 dias permitidos por lei. “É uma emergência nacional”, afirmou o Presidente, alegando que acredita que “os democratas não farão nada para parar o crime”: “Mas achamos que os republicanos o farão quase unanimemente”.

Como as forças de segurança federais foram recebidas na capital?

A chegada das forças militares às ruas de DC tem provocado alguns protestos. Manifestantes aglomeraram-se junto à barreira policial montada no noroeste da cidade e foram pedindo aos condutores para se desviarem, alertando para o risco de serem parados por infrações como problemas em faróis ou a falta do cinto de segurança. “Vão para casa fascistas”, terão gritado, aos agentes de segurança que coordenavam a operação, refere o New York Times.

Contudo, de acordo com a CNN, o protesto decorreu de forma pacífica e sem registo de violência. Na segunda-feira os manifestantes já se tinham reunido para protestar contra a presença da Guarda Nacional nas ruas de Washington DC. Com cartazes a dizer “Não à Guarda Nacional” e “Trump deve ir já”.

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▲ Manifestantes foram às ruas na segunda-feira, 11 de agosto, para protestar contra a chegada de soldados

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Esta quarta-feira um homem foi acusado de um crime por alegadamente atirar uma sandes contra um oficial de segurança federal, noticiou a CNN. De acordo com a polícia, o homem confrontou um grupo de agentes de controlo de fronteiras no domingo à noite chamando-os “fascistas”. O suspeito terá gritado mesmo: “O que estás aqui a fazer? Não te queremos na minha cidade”. Depois disso, terá atravessado a rua, regressando para atirar a sandes contra o corpo do polícia. O homem ainda tentou fugir mas acabou por ser detido.

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