Bari Weiss, fundadora do órgão de comunicação social independente The Free Press, foi nomeada diretora da CBS News esta segunda-feira, depois do grupo Paramount Skydance ter comprado o órgão por 150 milhões de dólares.

Weiss, de 41 anos, fundou o The Free Press  — antes conhecido por Common Sense — em 2021, depois de se ter demitido publicamente do The New York Times, acusando os colegas de “bullying” por discordarem das opiniões políticas e da linha editorial se ter tornado numa “nova ortodoxia”, afastando vozes dissidentes como a dela.

Na sua carreira, que começou em 2007, a jornalista tem ainda no currículo passagens por jornais como o norte-americano Wall Street Journal, o israelita Haaretz e ainda o alemão Die Welt, onde escrevia uma coluna de opinião desde 2021. Apesar desta experiência, é a primeira vez que Weiss assume qualquer cargo relacionado com a televisão.

“Estamos muito felizes em receber Bari e o The Free Press na Paramount e na CBS News”, disse David Ellison, CEO do grupo Paramount Skydance num comunicado publicado no seu site.

“Bari é uma defensora comprovada do jornalismo independente e baseado em princípios, e estou confiante que o seu espírito empreendedor e a sua visão editorial irão revigorar a CBS News”, disse.

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Weiss, que se é casada com uma antiga colega do New York Times e se define  como sendo “centrista” e uma fervorosa apoiante de Israel, critica frequentemente posições ditas “woke”, noticia o The Guardian. No The Free Press, a diretora tem publicado críticas aos protestos pró-Palestina na universidade de Columbia e às acusações de transfobia contra JK Rowling e assinou textos onde se declarou abertamente contra as medidas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), que Donald Trump tinha prometido erradicar quando assumiu o segundo mandato na Presidência.

Num comunicado publicado no site do The Free Press sobre a sua nomeação, Bari Weiss alegou que as instituições enfrentaram uma onda de “antiliberalismo” na última década, lembrando aquela que seria a sua experiência no New York Times.

“Se o antiliberalismo das nossas instituições tem sido a história da última década, agora enfrentamos uma forma diferente de antiliberalismo que emana das nossas margens”, lê-se no comunicado, onde põe lado a lado “uma extrema-esquerda que odeia os Estados Unidos” e “uma extrema-direita que apaga a história”.

“Esses extremos não representam a maioria do país, mas têm cada vez mais poder na nossa política, na nossa cultura e no nosso ecossistema mediático”, disse, revelando ainda ir acumular os cargos de diretora do site e da CBS News.

Primeira aquisição pós-fusão aprovada por Trump

A compra da The Free Press é uma das primeiras grandes contratações do grupo que nasceu de uma fusão entre a Paramount e a Skydance, uma operação no valor de 8 mil milhões de dólares que demorou mais de um ano a ser concluída, começando em julho de 2024 e acabando só em agosto deste ano, após a entidade reguladora ter dado o aval.

A CBS era um dos alvos de Donald Trump antes mesmo de este ser eleito Presidente dos EUA. Em outubro de 2024, tinha processado a estação pela edição a uma entrevista no programa 60 Minutes nas eleições à adversária Kamala Harris, uma edição que favorecia a imagem da então vice-presidente. Em abril, o editor do 60 Minutes, Bill Owens, demitiu-se por considerar que já não tinha a independência necessária para fazer o programa.

No início de julho, a Paramount concordou em pagar cerca de 14 milhões de euros num acordo extra-judicial com Trump. Em meados desse mês, o The Late Show da CBS, apresentado pelo comediante Stephen Colbert, foi encerrado — uma decisão descrita pela empresa como “puramente financeira” mas que se sucedeu ao comediante comentar que o acordo tinha sido “um suborno” ao líder.