Depois de reunir esta terça-feira com o Comité Central do partido, a reação do secretário-geral do PCP aos resultados da noite eleitoral quase não evoluiu em relação a domingo. A CDU reconhece que teve um “um resultado em geral negativo” obtido “num quadro particularmente exigente”, depois da diminuição de autarquias nas suas mãos, que passaram de 19 a 12 . Mas Paulo Raimundo prefere sublinhar as quatro Câmaras que a coligação recuperou — todas ao PS: Mora, Aljustrel, Sines e Montemor-o-Novo — provando que as perdas de autarquias não eram “irreversíveis”.
O líder comunista lembrou que, durante a campanha houve quem tivesse dito que a CDU e o PCP iam “ser varridos” do mapa autárquico e que “vinha aí uma coisa qualquer” que “ia limpar” todos os autarcas comunistas. “Para a azia de alguns, isso não aconteceu”, acrescentou Raimundo numa conferência de imprensa onde sublinhou os 6,6% obtidos nas autárquicas face aos 2,9% nas legislativas de maio. O Secretário-geral do PCP acrescentou que o partido quis “afirmar um projeto distintivo” nas autárquicas, justificando, em parte, apenas se coligarem com o Partido Ecologista Os Verdes, os seus parceiros para todas as lutas.
Paulo Raimundo denunciou ainda a existência de “um quadro político marcado por uma prolongada ação concertada de mentiras e falsificação” para prejudicar a CDU. Detalhou essa acusação, dando o exemplo de Grândola e Alcácer do Sal, onde disse ter havido uma “operação para denegrir” os autarcas da CDU. O líder comunista defendeu também a escolha dos candidatos às autarquias, considerando “injusto” dizer que essa foi a razão para o partido ter piorado os seus resultados.
Findo período eleitoral, é agora tempo de encontrar geometrias nos executivos municipais para garantir a estabilidade governativas. No entanto, Raimundo disse não estar a “ver nenhum caso em concreto” em que a CDU precise de se coligar com outras forças políticas para garantir a governação nas Câmaras que conquistou. Garantiu que não o fará se isso significar “desvirtuar” o programa autárquico do PCP.
Novamente questionado sobre o caso de Lisboa, o secretário-geral do PCP disse que o seu partido “tinha razão”, porque PS, Livre, Bloco e PAN diminuíram a votação face a 2021, quando não concorreram todos juntos: “A soma das partes nem sempre dá a mais e foi o que aconteceu”. Se a CDU se retraiu a nível autárquico e concorreu sozinha a todos os 308 municípios, Raimundo não disse se a solução para o problema virá de explorar coligações mais abrangentes à esquerda. Acabou por dizer que os comunistas têm um projeto autárquico que “é revisto, naturalmente, mas tem linhas fundamentais”.
Com essa deixa, deixou as autárquicas para trás e exortou os restantes partidos da oposição a juntarem-se ao ao combate das políticas do Governo de Montenegro. “A grande convergência tem de ser feita no terreno, a questão decisiva que está em curso é o pacote laboral”, disse. Por fim, chegou mesmo a acrescentar que “todos os que forem contra o pacote laboral têm de ir à rua” na manifestação da CGTP convocada para dia 8 de novembro, para poderem combater alterações à lei, que acredita que vão “acrescentar mais precariedade à precariedade”.
[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]