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Itália está já a desenvolver uma estratégia para gerir emergências e contribuir para a reconstrução da Faixa de Gaza, anunciou esta quarta-feira o Governo italiano, adiantando que um dos projetos previstos é a construção de uma universidade.

“Após a assinatura do acordo de paz no Médio Oriente, Itália iniciou prontamente uma ação coordenada para desenvolver uma estratégia eficaz para gerir emergências e reconstruir a Faixa de Gaza”, anunciou, na sua página oficial na Internet, o gabinete da primeira-ministra, Giorgia Meloni, no final de uma “reunião operacional” sobre a reconstrução de Gaza.

No fim da reunião, que juntou no Palácio Chigi, sede do Governo italiano, em Roma, “os ministérios competentes e os atores institucionais envolvidos no processo”, com o objetivo de promover uma ação conjunta e otimizar os esforços para alcançar resultados concretos em setores como saúde, educação, agricultura e segurança, o gabinete de Meloni explicou que “o objetivo é identificar as intervenções mais urgentes e viáveis a curto prazo, com especial atenção ao apoio humanitário e à saúde”.

Ao mesmo tempo, prosseguiu o Governo italiano, está a ser já desenvolvido “um plano abrangente e sinérgico entre todas as instituições e partes interessadas”, tendo o Ministério da Educação e Universidades revelado após a reunião que tem planos para construir uma universidade no enclave palestiniano.

A ativação de cursos de ensino à distância, com universidades tradicionais e online, bem como a criação de áreas comuns equipadas com acesso à Internet e ferramentas digitais estão entre as iniciativas propostas pelo Ministério das Universidades, segundo o qual “será dada especial atenção ao desenvolvimento de projetos de telemedicina e à criação de instalações locais para a produção e personalização de próteses, graças à contribuição de instituições italianas de excelência nos setores ortopédico e protético”.

Por outro lado, o ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, anunciou que Itália “está pronta para fornecer hospitais de campanha e edifícios pré-fabricados para ajudar na reconstrução de Gaza“, assim como “recursos humanos, materiais e veículos para ajudar a população palestiniana”, enquanto a ministra para a Deficiência, Alessandra Locatelli, adiantou que Itália prestará assistência às crianças com deficiências graves em Gaza.

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A task-force criada pelo Governo italiano para a ajuda a Gaza no pós-guerra —  cenário agora mais próximo na sequência do processo de paz acordado entre Israel e Hamas na semana passada — voltará a reunir-se nas próximas semanas e será eventualmente alargada a outros ministérios e instituições envolvidos, de acordo com o executivo de Meloni.

A reunião desta quarta-feira na sede do Governo ocorreu no mesmo dia em que o vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia italiana, Antonio Tajani, assegurou perante o parlamento que o reconhecimento do Estado da Palestina por Roma está “mais próximo”, após a libertação de todos os reféns vivos pelo Hamas.

“Hoje, as condições estão finalmente reunidas para que Gaza seja libertada do pesadelo do Hamas e provisoriamente confiada ao controlo internacional, com a participação ativa dos países islâmicos”, disse Tajani, dirigindo-se à câmara dos deputados, durante um debate de urgência sobre o plano de paz para o conflito israelo-palestiniano, que contempla um cessar-fogo no enclave em vigor desde sexta-feira passada.

No quadro do plano de paz, impulsionado pelo Presidente norte-americano Donald Trump, o grupo islamita Hamas libertou, na segunda-feira, todos os 20 reféns ainda vivos que permaneciam na Faixa de Gaza, uma das condições que o Governo italiano de direita e extrema-direita, liderado por Giorgia Meloni, havia imposto para o reconhecimento do Estado da Palestina, sendo a outra a exclusão política e militar do Hamas de Gaza e da Cisjordânia.