Com 98% dos votos apurados nos Países Baixos, os liberais do partido Democratas66 (D66) e o Partido Pela Liberdade (PVV) devem ambos eleger 26 deputados cada, um número historicamente baixo para o maior partido. O partido de Geert Wilders perde assim o primeiro lugar e onze assentos na Câmara dos Deputados. Neste momento o D66, que elegeu mais 17 deputados do que nas últimas eleições, tem aproximadamente menos 2300 votos que o adversário, depois de ter estado ligeiramente à frente durante a madrugada.
A contagem final deve ser divulgada até o final da manhã. A participação eleitoral foi ligeiramente maior que nas eleições de 2023, com 78,4% dos eleitores aptos a votar a comparecerem às urnas em comparação com 77,8% há dois anos. Apesar do empate, o líder do PVV não quer, para já, ver os rivais a pensarem na liderança. “O PVV quer liderar o processo de formação se vencer. Enquanto não tivermos 100% de clareza, nenhum membro do D66 deve iniciar os trabalhos. Vamos fazer tudo para o evitar”, escreveu no X na manhã desta quinta-feira, 30 de outubro.
De PVV wil het voortouw bij de formatie als we de grootste zouden worden. Zolang daar geen 100% helderheid over is kan er geen verkenner van D66 aan de slag. We zullen alles doen om dit te voorkomen. #PVVOP1
— Geert Wilders (@geertwilderspvv) October 30, 2025
Na noite da passada quarta-feira, dia 29, as sondagens à boca das urnas indicava uma vitória do D66. Diante da projeção, o líder do partido, Rob Jetten, frisou que o D66 “alcançou o melhor resultado de sempre”: “Podemos ser muito bem o maior partido do país”. “Os Países Baixos enviaram uma mensagem muito clara. “Dissemos adeus à negatividade e escolhemos a política positiva. É tempo de política, positividade e olhar para o futuro”, disse.
Ainda durante a noite, também no X, Geert Wilders já parecia ter assumido a derrota. “O povo falou. Esperávamos outro resultado, mas mantemo-nos firmes. Estamos mais determinados do que nunca a lutar, mesmo sendo o segundo ou o maior partido nos Países Baixos”, afirmou o líder de direita radical, referindo-se ao facto de os partidos centristas se terem recusado a colaborar com o PVV num cenário pós-eleitoral.
De kiezer heeft gesproken. We hadden op een andere uitslag gehoopt maar onze rug rechtgehouden. We zijn strijdvaardiger dan ooit en nog steeds de tweede en misschien wel grootste partij van Nederland. pic.twitter.com/Tpas3TUZRn
— Geert Wilders (@geertwilderspvv) October 29, 2025
Segue-se Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), do atual secretário-geral da NATO, Mark Rutte. O VVD deve eleger 22 deputados, perdendo dois assentos parlamentares. Em quarto lugar, ficou a Coligação de Esquerda entre o Partido do Trabalho e Os Verdes, que terá 20 parlamentares, menos cinco do que nas últimas eleições.
À frente da coligação de esquerda, o antigo vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, anunciou que abandonará a liderança do Partido do Trabalho. Pelo mau resultado, o líder assume “total responsabilidade”. “É evidente, por algum motivo, não consegui cumprir as minhas promessas”, lamentou, acrescentando que chegou a hora de se “afastar” e “passar a liderança do movimento para a próxima geração”.
Em quinto lugar ficou o Apelo Democrata-Cristão (CDA), de centro-direita, devendo eleger 18 deputados, conquistando 13 novos lugares na Câmara dos Deputados. Por ordem seguem-se os restantes partidos: JA21 — 9, Fórum pela Democracia (FVD) — 7, Movimentos de Agricultores e Cidadãos (BBB) — 4, Partido Socialista (PS) — 3, Denk — 3, Partido dos Animais — 3, Partido Político Reformista (SGP) — 3, União Cristã (CU) — 3, o 50Plus — 2 e o Volt — 1. A maior queda regista-se no Partido Novo Contrato Social (NSC), que deve passar de ter 20 deputados para perder representação parlamentar.
Apesar do resultado não ter sido 100% apurado, com o empate já começam as negociações para a formação de uma coligação. O presidente da Câmara dos Representantes é quem define quem conduzirá as conversas exploratórias e a primeira reunião sobre o tema está marcada para a próxima sexta-feira. Na passada quarta-feira, em conferência de imprensa, o líder do D66, Rob Jetten, antecipou que seria “a opção lógica” tentar uma coligação com os partidos de esquerda GL-PvdA, o VVD e o CDA: juntos, os quatro partidos somam 86 assentos parlamentares. Contudo, os liberais do VVD fizeram campanha a dizer que não entrariam numa coligação com o GL-PvdA, pelo que Jetten terá de decidir se quer ir por um caminho mais à direita ou à esquerda. Também o CDA não se quis comprometer: em conferência de imprensa durante a noite, o líder Henri Bontenbal afirmou que só vai começar a pensar em “preferências de coligação” esta quinta-feira.
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