Pelo menos 142 pessoas morreram e 127 estão desaparecidas na sequência da passagem do tufão Kalmaegi pelo centro das Filipinas, de acordo com dados oficiais compilados esta quinta-feira pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O Departamento Nacional de Defesa Civil das Filipinas confirmou 114 mortes, além de 28 vítimas mortais registadas pelas autoridades da província de Cebu, no centro do país, referiu a AFP. O anterior balanço da proteção civil das Filipinas dava conta de 85 mortos e 75 desaparecidos.

A maioria das vítimas mencionadas morreu afogada ou ao ser atingida por destroços, na sequência de inundações repentinas e aluimentos de terras causados pelo Kalmaegi, que também destruiu casas e arrastou veículos, disse na quarta-feira o responsável adjunto do Gabinete de Defesa Civil, Bernardo Rafaelito Alejandro.

O exército indicou que seis militares morreram quando um helicóptero da Força Aérea se despenhou na província de Agusan del Sur, durante uma missão de ajuda humanitária.

A devastação provocada pelo tufão afetou quase dois milhões de pessoas e desalojou mais de 560 mil residentes, incluindo quase 450 mil que foram retirados para abrigos de emergência, informou a Defesa Civil.

Cerca de 3.500 passageiros ficaram retidos em quase uma centena de portos devido à proibição de navegação.

Decretado estado de emergência no país

Tendo em conta a dimensão e as consequências do tufão — o pior desastre a atingir o país este ano –, o Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., declarou já esta quinta-feira o estado de emergência no país.

A declaração de “estado de calamidade nacional” foi feita por Marcos, durante uma reunião com as autoridades de resposta a catástrofes, para avaliar as consequências do tufão.

A decisão permite ao Governo das Filipinas libertar fundos de emergência mais rapidamente e evitar o açambarcamento de alimentos e a especulação de preços.

As autoridades da província de Cebu disseram que anos de exploração mineira e obras de drenagem deficientes agravaram o impacto das cheias.

Na passagem pelo centro das Filipinas, o Kalmaegi trouxe ventos de 130 quilómetros por hora (km/h) e rajadas de até 180 km/h.

Depois de atravessar o mar do Sul da China, a tempestade deverá atingir ainda esta quinta-feira a costa do Vietname e causar chuva intensa no norte da Tailândia, indicaram os serviços meteorológicos da região.

Enquanto ainda lidavam com o impacto do Kalmaegi, as autoridades alertaram que outro ciclone tropical vindo do oceano Pacífico poderia fortalecer-se e tornar-se um supertufão, atingindo o norte das Filipinas no início da próxima semana.

Todos os anos, cerca de 20 tempestades ou tufões atingem ou aproximam-se das Filipinas, sendo as regiões mais pobres do país geralmente as mais afetadas.

Timor-Leste vai enviar forças de defesa para as Filipinas

Entretanto, o Governo de Timor-Leste aprovou esta quinta-feira, em reunião extraordinária do Conselho de Ministros, o envio de forças de defesa para as Filipinas.

“O Conselho de Ministros aprovou o projeto de Resolução do Governo que autoriza, no quadro constitucional e legal, a participação das FALINTIL – Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) numa missão de apoio humanitário e proteção civil na República das Filipinas”, pode ler-se no comunicado divulgado à imprensa.

O Governo explica que a decisão tem por base os compromissos internacionais assumidos por Timor-Leste no quadro da ONU e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), bem como as disposições da Lei de Defesa Nacional e o Estatuto Orgânico das F-FDTL.

“O Conselho de Ministros determinou ainda o início urgente do procedimento constitucional e legal para o emprego das F-FDTL na referida missão, incluindo a preparação das normas de empenhamento”, salienta-se no comunicado.

A Lei da Defesa Nacional timorense determina que o empenhamento das forças de defesa em operações de paz e humanitárias deve ser decidida pelo Governo e pelo Presidente da República, depois de ouvidos o parlamento e o Conselho Superior de Defesa e Segurança.

Timor-Leste já tinha manifestado, esta quinta-feira, solidariedade com as Filipinas e disse estar pronto para oferecer todo o apoio possível.

“Timor-Leste está profundamente entristecido com a dimensão desta tragédia e com as dificuldades enfrentadas por tantas famílias que perderam entes queridos, casas e meios de subsistência”, afirmou o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, numa carta enviada ao Presidente filipino e citada num comunicado divulgado à imprensa.

O líder timorense sublinhou também que Timor-Leste “permanece solidário com o povo filipino neste momento de luto e recuperação”, reiterando a amizade e cooperação regional.

No mesmo comunicado, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e porta-voz do Governo, Agio Pereira, afirmou que as Filipinas enfrentam uma “tragédia de proporções imensas”.

“A nossa história e laços de cooperação regional fazem com que a dor das Filipinas também seja a nossa. Estamos prontos a oferecer todo o apoio possível”, acrescentou Agio Pereira.