O senado norte-americano aprovou na segunda-feira um projeto-lei que visa pôr fim à paralisação governamental mais longa da História dos Estados Unidos. O acordo, promovido pelos republicanos, só recebeu luz verde graças ao apoio de um grupo de senadores democratas que romperam com o voto partidário. Há ainda caminho a fazer, já que a medida terá ainda de ser aprovada na Câmara dos Representantes — a câmara baixa que o Partido Republicano também controla.
O acordo foi aprovado no Senado com 60 votos a favor e 40 contra ao 41.º dia do “shutdown“. O impasse só foi quebrado graças ao voto a favor de sete democratas (Catherine Cortez Masto, John Fetterman, Dick Durbin, Maggie Hassan, Tim Kaine, Jackie Rosen, Jeanne Shaheen) e do independente Angus King (apesar de ser eleito como tal, vota ao lado dos democratas).
O grupo disse que votou ao lado dos republicanos porque concluiu que estes nunca iriam ceder à principal reivindicação dos democratas na disputa que conduziu à paralisação do governo: o prolongamento do reforço dos subsídios de saúde abrangidos pelo Affordable Care Act (o chamado Obamacare), que está previsto terminar em 2026. Conseguiram assegurar dos republicanos a promessa de uma futura votação sobre um projeto de lei de saúde à sua escolha, apesar de, como nota a imprensa norte-americana, estar longe de ser garantido que o projeto sobreviva no Senado e muito menos na Câmara. Também asseguraram que os mais de quatro mil despedimentos que a Administração Trump tentou levar a cabo são revertidos.
“Shutdown”. Paralisação nos serviços públicos nos EUA torna-se a mais longa de sempre
“Não tínhamos como avançar na questão da saúde porque os republicanos disseram: ‘Não vamos discutir saúde com o governo paralisado’”, notou o senador democrata de Virgínia Tim Kaine, citado pelo New York Times. “E tínhamos beneficiários do SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar) e pessoas que dependiam de outros serviços essenciais que estavam a perder os seus benefícios devido à paralisação”, acrescentou.
A posição gerou críticas dos restantes membros do partido, incluindo o líder dos democratas do Senado. Chuck Schumer sublinhou que o acordo “não faz nada de substancial para resolver a crise do sistema de saúde americano”. Já os republicanos congratularam-se com o acordo. “O Presidente é a favor. Se o Presidente é a favor, penso que será aprovado na Câmara dos Representantes. Penso que é um bom acordo para o país”, disse o conservador Lindsey Graham à imprensa.
O projeto aprovado no Senado para a reabertura do governo federal terá ainda de ser aprovado na Câmara dos Representantes, de maioria republicana. O presidente da câmara baixa, Mike Johnson, já deixou um apelo para que os congressistas regressem a Washington “agora mesmo”. Segundo a CNN, espera-se que a votação aconteça às 16h locais de quarta-feira.
O Presidente reagiu à votação desta segunda-feira com satisfação, dizendo, momentos antes de o Senado se reunir que “vamos abrir o país muito rápido“. “O acordo é muito bom”, acrescentou em declarações a partir da Sala Oval, em que garantiu que vai cumprir as medidas previstas no acordo no que toca aos funcionários federais.
Durante semanas cada um dos lados acusou o outro de ser a razão pela qual o impasse não termina. A paralisação provocou milhares de cancelamentos de voos, afetou diretamente 1,3 milhões de trabalhadores federais e levou à suspensão do pagamento do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP), que beneficia 42 milhões de norte-americanos.
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