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O Presidente da República considerou esta sexta-feira que as relações com Angola “estão excelentes” e destacou um discurso do líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, em Luanda, “sobre a fraternidade” luso-angolana, referindo que “caiu muito bem”. Revelou ainda que pondera ir votar antecipadamente para as eleições presidenciais à ilha do Corvo, que não conseguiu visitar durante a sua última visita aos Açores.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no fim de uma visita ao Bazar Diplomático, em Lisboa, após ser questionado sobre as críticas que o presidente do Chega, André Ventura, fez à intervenção do Presidente de Angola, João Lourenço, sobre o período colonial, durante as comemorações dos 50 anos de independência deste país.

Escusando-se a comentar o que disse André Ventura, o chefe de Estado considerou que “as relações entre Angola e Portugal estão excelentes”, tanto entre os dois povos, como entre as autoridades dos dois países, em termos económicos e financeiros, sociais e culturais.

“Estiveram sempre bem a nível de Presidente e de primeiro-ministro, com os dois primeiros-ministros, e mantêm-se com o atual Governo”, reforçou.

Em seguida, o Presidente da República destacou que, nesta visita por ocasião dos 50 anos da independência de Angola, “quem falou em nome dos deputados no encontro com os deputados angolanos foi precisamente o líder parlamentar do partido segundo mais votado, o Chega”.

O chefe de Estado referiu que o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, que integrou a comitiva desta visita, “fez um discurso que caiu muito bem, sobre a fraternidade, a amizade e o relacionamento” luso-angolano.

“Isso representou a posição dos deputados portugueses, mas foi expressa pelo líder do segundo maior partido no parlamento”, realçou.

Quanto às críticas feitas pelo presidente do Chega à intervenção de João Lourenço, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: “não me pronuncio sobre a campanha eleitoral, portanto, não me vou pronunciar”.

Em declarações na Assembleia da República, na quarta-feira, André Ventura qualificou como “uma vergonha e uma humilhação para Portugal” as palavras do Presidente de Angola sobre o período colonial e a escravatura, e defendeu que “um Presidente português digno ter-se-ia levantado e virado as costas”.

Marcelo pondera ir votar antecipadamente à ilha do Corvo

Sobre a sua visita à ilha do Corvo, o chefe de Estado confirmou que está a equacionar “esse plano”.

“Porque eu não pude ir, por razões meteorológicas, ao Corvo, a última vez. Estive nas Flores, mas não foi possível ir ao Corvo, e estive a pensar quando é que era possível”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República salientou que é preciso “ver se é possível” fazer essa deslocação à ilha do Corvo e aí exercer o voto antecipado, no domingo anterior às eleições presidenciais, que estão marcadas para 18 de janeiro.

“Vamos ver se é possível naquela ocasião, que é uma semana antes. Tenho de ver se legalmente é possível. É preciso que haja voto antecipado no Corvo”, declarou, reiterando que “gostava de ir lá votar antecipadamente”.

A sua ida ao Corvo em janeiro, a concretizar-se, será articulada com o Governo Regional e autoridades regionais, incluindo o representante da República e o presidente da Assembleia Legislativa Regional, referiu.

Quanto às suas próximas e últimas deslocações ao estrangeiro, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que irá “a Espanha e à Santa Sé”, e depois tem prevista “uma ida, que coincide com a do rei de Espanha, ao Parlamento Europeu para celebrar os 40 anos da adesão às Comunidades Europeias”.

Durante a sua visita, de mais de duas horas, ao Bazar Internacional do Corpo Diplomático, em que, como habitualmente, percorreu as bancas de todos os países participantes, o chefe de Estado falou da vinda a Portugal do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, em dezembro, para uma cimeira luso-moçambicana, no Porto.

“Eu estarei lá, por coincidência, na reunião do Conselho de Fundadores de Serralves. Pode acontecer que haja um cruzamento ou não”, afirmou.

Por outro lado, realçou que o convite, feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, ao Presidente do Brasil, Lula da Silva, para visitar Portugal em abril: “O convite está formulado, para abril do ano que vem. Será com o meu sucessor”.

Sobre os decretos do parlamento relativos à nacionalidade, o Presidente da República disse que ainda não os leu e que quer também ver “a fundamentação do pedido” de fiscalização preventiva que o grupo parlamentar do PS irá enviar ao Tribunal Constitucional.