O grupo Estado Islâmico recorreu pela primeira vez à inteligência artificial (IA) para recrutar jihadistas britânicos, revelou o jornal Telegraph esta segunda-feira. A estratégia, segundo fontes de segurança, está a provocar “alarme” dentro dos serviços de informação do Reino Unido (MI5 e MI6), que confirmaram estar a tentar travar a utilização de IA como arma de propaganda.
No relatório anual de avaliação de ameaças, apresentado em outubro, o diretor-geral do MI5, Ken McCallum, revelou que “grupos no estrangeiro continuam a tentar direcionar o terrorismo para o Reino Unido e para a Europa”. Acrescentou, também, que “a Al Qaeda e o Estado Islâmico estão novamente a tornar-se mais ambiciosos, tirando partido da instabilidade no estrangeiro para consolidar posições” e que “ambos estão a encorajar pessoalmente e a incitar indiretamente potenciais atacantes no Ocidente”.
As autoridades britânicas acreditam que, para além de procurarem inspirar ataques na Europa através de conteúdos digitais produzidos ou amplificados por IA, os membros do Estado Islâmico lançaram uma nova campanha internacional de recrutamento para atrair combatentes estrangeiros para a Síria. Para isso, e de acordo com o Telegraph que cita fontes de segurança britânica, os propagandistas jihadistas têm recorrido à inteligência artificial para traduzir documentos em árabe, como os editoriais do jornal semanal árabe Al Naba, para dezenas de línguas. Os textos são posteriormente partilhados nas redes sociais, como o Facebook. Estas publicações só são removidas quando atingem um público significativo, o que permite ao grupo contornar os sistemas de deteção e censura.
Estado Islâmico ativo na Europa com recrutamento e angariação de fundos online
Na Síria, a atividade do grupo tem aumentado, com vários membros a realizarem ataques contra soldados do Governo e contra as Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla inglesa). No período de maior força do grupo, há mais de dez anos, cerca de 30 mil combatentes — entre eles cerca de 900 britânicos — foram para o Médio Oriente para integrarem a organização jihadista. Mais de um quarto terá perdido a vida e muitos dos que quiseram voltar aos países de origem acabaram por ser alvo de investigações e processos por crimes de terrorismo.
A combinação de tecnologia avançada e das redes sociais está a criar condições para aliciar uma nova geração de jovens britânicos a grupos terroristas, admitiram os especialistas ao Telegraph. Um dos exemplos mais claros é a detenção de um jovem de 18 anos, no Aeroporto de Gatwick, enquanto tentava embarcar para a Istambul. Segundo o tribunal, estava a planear cruzar a fronteira para a Síria e juntar-se ao Estado Islâmico.