O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, esta quinta-feira, que as incursões terrestres na Venezuela começam “muito em breve”. O chefe de Estado adiantou, num discurso na Florida, que vai parar os “traficantes de droga” venezuelanos no solo: “Por terra, é mais fácil. Vamos começar muito em breve. Já os avisámos: parem de enviar veneno para o nosso país”.
???????????????? NEW: President Trump announces that the U.S. will be stopping Venezuelan drug traffickers by LAND "very soon" pic.twitter.com/NJDHWKVGBf
— HOT SPOT (@HotSpotHotSpot) November 28, 2025
Na terça-feira, Donald Trump também já dissera que preferia “salvar vidas” e fazer as coisas da “maneira mais fácil” na Venezuela. O Presidente norte-americano ressalvou logo a seguir que os Estados Unidos podem ser obrigados a lidar com o assunto “da maneira mais difícil”: “E também não há problema”.
Recentemente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, também ponderou falar ao telefone com o homólogo venezuelano. A conversa estaria mesmo a ser organizada, de acordo com o que avançou o jornal Axios.
Ainda não é bem claro como serão os contornos da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. De qualquer forma, se o Presidente venezuelano acabar deposto na sequência de uma incursão militar norte-americana, existe uma localização a ser estudada onde poderá exilar-se: a Turquia. Nicolás Maduro mantém boas relações com o homólogo turco, Recep Tayyip Erdoğan, que também é considerado um aliado dos Estados Unidos da América.
Em declarações ao Washington Post, que avançou a notícia, um dirigente norte-americano contou ao jornal que a “Turquia é o lugar perfeito” para o Presidente venezuelano. Nicolás Maduro “confia em Erdoğan, que tem boas relações com Trump”. “Ao final do dia, que desfechos realistas e aceitáveis existem?”, questionou a mesma fonte que não se identificou.
A eventual ida do Presidente venezuelano para a Turquia teria também de ser acompanhado por “garantias” de segurança. Uma delas seria, referiu o dirigente norte-americano, que Nicolás Maduro não seria extraditado para os Estados Unidos, onde está a ser procurado pelo FBI — existe mesmo uma recompensa de 50 milhões de dólares (cerca de 43 milhões de euros) para quem tiver informações que conduzam ao paradeiro do chefe de Estado.
Oficialmente, ao Washington Post, a Casa Branca não comentou o teor das informações sobre o exílio de Nicolás Maduro.
Maduro pede prontidão à Força Aérea
Também esta quinta-feira, Maduro pediu aos elementos da força aérea que estejam em “alerta, prontos e dispostos” a defenderem os direitos da Venezuela. “Peço-vos que estejam sempre imperturbáveis na vossa serenidade, alerta, prontos e dispostos a defender os nossos direitos como nação, como pátria livre e soberana, e sei que nunca falharão à Venezuela, sei que a Venezuela conta convosco”, disse.
O Presidente venezuelano fez as declarações remotamente durante um evento liderado pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e por altos comandantes militares na base aérea de Maracay, capital do estado de Aragua (norte), para assinalar o 105.º aniversário da criação da força aérea venezuelana. Na ocasião, as tropas realizaram um exercício de simulação da interceção de um avião e de tropas invasoras.
Sem especificar, Padrino López criticou governos que “se prestam ao jogo imperialista para militarizar as Caraíbas” e apelou para que deixem de agir contra os sentimentos dos seus povos.
O ministro da Defesa fez a declaração no mesmo dia em que o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, visitou o USS Gerald R. Ford, para agradecer às tropas por enfrentarem os cartéis da droga.
Na quarta-feira, Hegseth esteve na República Dominicana, cujo Governo autorizou os Estados Unidos a utilizar “de forma provisória” dois aeroportos no âmbito da luta contra o tráfico de droga na região.
A região das Caraíbas foi palco, na segunda-feira, de demonstrações de bombardeiros B-52H, revelou a força aérea norte-americana na quarta-feira.
No plano interno, e também devido às manobras militares na região, a Venezuela despertou na quinta-feira com a atividade aérea civil reduzida, com Caracas a cumprir a ameaça na noite de quarta-feira de revogar as licenças das companhias aéreas TAP, Iberia, Turkish Airlines, Avianca, Latam Colombia e Gol, que acusou de se “unirem aos atos terroristas” promovidos pelos EUA.
O Aeroporto Internacional de Maiquetia, que serve Caracas, operou na quinta-feira com uma oferta limitada de viagens, estando previstas apenas sete partidas e sete chegadas, no mesmo dia em que a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que engloba mais de 300 companhias aéreas de todo o mundo, instou as autoridades venezuelanas a reconsiderarem a revogação das concessões de voos.
Durante a 19.ª edição da Comissão Intergovernamental de Alto Nível Rússia-Venezuela, realizada virtualmente, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez acusou a Administração Trump de tentar isolar o país sul-americano e de pressionar outros a impedirem as companhias aéreas de voarem para Caracas. Neste contexto, apelou a um aumento dos voos entre a capital venezuelana e Moscovo.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) tinha apelado, na sexta-feira passada, à “extrema cautela” das companhias aéreas no sobrevoo da Venezuela e sul das Caraíbas, o que levou a uma cascata de cancelamentos de voos para o país sul-americano.
Na quinta-feira, o Governo português avisou a Venezuela que não cederia a ameaças, após a revogação da concessão de voo da TAP, que voa para o país há quase 50 anos, enquanto a companhia aérea espanhola Iberia disse esperar retomar os voos o mais rapidamente possível, logo que estejam reunidas todas as condições de segurança para os passageiros.