Um “introvertido” que podia ser “gentil e amável” mas capaz de fazer “bullying“. É assim que colegas que se cruzaram com Cláudio Valente na Universidade Brown o descrevem. A diretora da instituição conta que nenhum funcionário que lá trabalha se lembra dele lá ter andado. Já a família, segundo o New York Times, não ouvia falar dele desde que foi para a universidade e só soube dele quando foi acusado de matar duas pessoas em Brown e o físico português, Nuno Loureiro, em Brookline, Massachussets.
Luk Chong Yeung, física brasileira de 48 anos, andou no mesmo curso que o suspeito, embora um ano mais à frente. Ao New York Times, conta que se cruzou com Valente dentro do grupo de pessoas que falavam português e andavam na mesma faculdade. As interações permitiram-lhe concluir que o português era mais “introvertido” e parecia ter dificuldades académicas, ambas as características comuns entre os estudantes num curso difícil. “Ele era apenas um pouco mais distante“, acrescentou.
Já Scott Watson, antigo colega e hoje um professor de Física na Universidade de Syracuse, em Nova Iorque, contou ao jornal norte-americano que era o “único amigo íntimo” que Valente fez na faculdade, indo com ele várias vezes comer ao restaurante português da zona.
Durante o tempo que lá passou, Cláudio, que Watson caracteriza como “brilhante“, queixava-se frequentemente que as aulas eram “demasiado fáceis” e que a comida do campus era má, às vezes ficando mesmo zangado por isso. O agora professor conta que o seu antigo amigo tinha duas faces: tanto podia ser “gentil e amável”, como agressivo e um “bully“. “Tive de parar uma luta uma vez”, acrescentou, apontando que chamava um colega brasileiro de seu “escravo”.
Segundo o mesmo jornal, a reitora da Universidade, Christina Paxson, enviou um e-mail aos alumni da universidade para garantir que, durante “o curto período em que Neves Valente esteve matriculado como aluno de pós-graduação na [Universidade de] Brown”, não tinha havido quaisquer “preocupações relacionadas à conduta ou qualquer interação com a segurança pública”. Para além disto, sublinhou a diretora, não fora encontrado “nenhum funcionário que se lembre de Neves Valente, nem há qualquer registo da Brown de contacto recente entre este indivíduo”.
Família já não ouvia falar dele desde que estava em Brown
A ida para os Estados Unidos mudou a relação entre Cláudio Valente e a sua família. O português, então com pouco mais de 20 anos e com um registo de boas notas enquanto foi aluno do Técnico, inscreveu-se na universidade norte-americana em 2000. E, segundo Mirita Domingues, familiar de Cláudio, não fala com a família desde que lá estava, nem com os próprios pais.
“Eles estão devastados”, contou a familiar do suspeito ao jornal norte-americano. “A mãe dele disse esta manhã que sempre se preocupou que, da próxima vez que ouvisse falar dele, ele estivesse morto”, acrescentou a familiar. Terá sido mesmo nas notícias que os pais souberam algo dele em mais de 20 anos, garantiu.