Catarina Martins aproveitou o despique entre candidatos presidenciais de direita sobre quem tem o apoio de Pedro Passos Coelho para colar Seguro a este último. A bloquista lembrou o papel do antigo secretário-geral socialista como líder da oposição durante a troika e batizou-o, a par de Marques Mendes, Cotrim e Ventura, como um dos “herdeiros de Passos Coelho”.

Depois de Cotrim ter reclamado o “espírito” do antigo primeiro-ministro do PSD, Catarina Martins sublinhou a disputa que tem sido feita pelo apoio oficial deste. “André Ventura faz o mesmo, Marques Mendes dirá também. António José Seguro começou a campanha a dizer que voltaria a deixar passar os orçamentos de Passos Coelho”, disse esta segunda-feira na Feira de Espinho.

“Todos eles herdeiros de Passos Coelho, todos eles tão contentes com o que fizeram no tempo da troika. Acham mesmo que quando o Governo quiser colocar as gerações mais jovens todas em contratos a prazo algum deles se vai levantar contra Montenegro e dizer que a Constituição tem de ser respeitada e que os jovens no nosso país têm de ter futuro?”, perguntou Catarina Martins.

Depois, a candidata presidencial também questionou os apelos do ex-líder do PS à concentração de votos à esquerda na sua candidatura. O voto em Seguro não evita  “uma escolha limitada e empobrecida” na segunda volta, defendeu. Por sua vez, Catarina Martins disse que como Presidente vai “puxar pelos salários, pelas pensões e respeitar a Constituição”.

Por fim, prometeu uma postura combativa em relação ao Governo, ao contrário do que espera de Seguro. “Quem começou por colar-se à direita, para depois — só quando percebeu que, se calhar, dava jeito — tentar dizer alguma coisa de esquerda. Se for eleito, provavelmente vai estar tão bem com  Montenegro, como esteve com Passos Coelho e isso não serve o país.”

Catarina aproveitou mote de Mortágua ao mostrar o escondido

Pela tarde, em Almeirim, Catarina Martins reaproveitou um dos motes da última campanha eleitoral do Bloco de Esquerda. Nas últimas legislativas, Mariana Mortágua começou por querer mostrar o “país invisível“, acompanhando funcionárias das limpezas no percurso de autocarro desde os arredores de Lisboa. Esta segunda-feira a candidata presidencial apoiada pelo BE visitou um centro para pessoas com deficiência, onde recuperou a questão da invisibilidade. “O papel do Presidente da República é mesmo este: mostrar o que mais ninguém mostra para garantir que a democracia é mesmo para toda a gente.”

Na visita guiada ao Centro de Reabilitação e Integração de Almeirim (CRIAL), que acolhe 92 utentes e é referência na região de Santarém, a bloquista também lembrou os funcionários que trabalham em instituições de apoio social. “Estou aqui para dar visibilidade ao que muitas vezes está escondido. Às pessoas com deficiência, aos seus direitos e a quem trabalha pelos direitos dos outros, que muitas vezes também não é visto e está em situações salariais e de carreiras estagnadas que são injustificáveis no nosso país”, acrescentou.

O diretor do CRIAL guiou Catarina Martins pelas várias divisões do estabelecimento, que tem camas para 21 utentes, queixando-se das listas de espera que “aumentam todos os dias”. “Nós temos capacidade para muitas mais pessoas mas ninguém assina os protocolos. A Segurança Social não assina os protocolos porque não há orçamento”, concretizou José Carlos da Silva. “Eu costumo dizer que o problema nunca é a falta de dinheiro, é para onde decidimos que ele vai”, atirou a candidata.

O próprio diretor do centro explicou que ocupa as suas funções voluntariamente, há três mandatos, por não existirem verbas para pagar a um diretor formado em gestão. No mesmo sentido, Catarina Martins lembrava que há cerca de um milhão de pessoas com deficiência em Portugal: “É intolerável termos leis bonitas sobre inclusão e depois não termos orçamento para as fazer.”

A visita ao centro em Almeirim ocorreu num dia em que vários representantes de colégios com serviço de ensino especial se manifestaram à porta do Ministério da Educação, naquilo que descreveram como um “grito de desespero”. Em resposta, o Governo comprometeu-se a aumentar o subsídio atribuído aos colégios por cada aluno do ensino especial.