Pouco se sabe sobre a estrutura interna, o número de membros ou a forma como se organizam. As autoridades alemãs descrevem o Vulkangruppe (Grupo Vulcão, em português), que provocou um apagão em Berlim no início deste ano, como um “grupo muito pequeno“, mas com uma estratégia simples: atacar a indústria energética e tecnológica alemã com o objetivo de denunciar “a ganância pelo dinheiro, poder e destruição“, mobilizando um movimento social contra a destruição ambiental global.

De acordo com a CNN, o Vulkangruppe iniciou a sua atividade em 2011, quando incendiou centrais elétricas e torres de transmissão nas regiões de Berlim e Brandenburg, batizando estas ações com nomes de vulcões islandeses: Eyjafjallajökull e Hekla. Desde então, segundo explica o El Mundo, tem vindo a realizar vários ataques contra infraestruturas de empresas privadas, incluindo a fábrica da Tesla, em Grünheide, em março de 2024.

Ataque a megafábrica da Tesla em Berlim custará centenas de milhões de euros

No ataque, o grupo queimou uma torre de pneus e interrompeu a produção de carros elétricos, causando centenas de milhões de euros de prejuízo, segundo a empresa. O Vulkangruppe descreveu Elon Musk como um “tecnofascista” e justificou a ação como um ato de defesa do planeta contra a expansão tecnológica e industrial.

Nas suas mensagens pós-ataques, os extremistas ecológicos são claros: procuram ligar o consumo, a riqueza e o estilo de vida elitista à destruição ambiental. Criticam toda as formas de guerra, os roubos e o impacto das infraestruturas de energia fóssil. Em declarações citadas pelo jornal alemão Der Tagesspiegel, o Grupo Vulcão afirmou que “as casas não são o alvo destas ações“. “Queremos atingir a indústria do gás e a insaciável procura de energia, sem colocar em risco vidas humanas”, sublinhou, pedindo desculpa à população menos favorecida afetada pelos cortes de eletricidade.

O mais recente ataque destes ativistas foi realizado na noite de 3 de janeiro deste ano. O grupo sabotou a central elétrica de gás de Berlim-Lichterfelde, deixando 45 mil casas em Berlim sem eletricidade. A reparação, considerada “lenta e complexa” pela operadora, demorou vários dias, enquanto hotéis, albergues e centros de emergência acolheram milhares de berlinenses.

Ativistas reivindicam autoria de sabotagem de rede elétrica de Berlim

Após esta ação, o presidente da Câmara de Berlim, Kai Wegner, classificou o ataque como “ato de terrorismo” e a ministra do Interior (equivalente à ministra da Administração Interna de Portugal), Iris Spranger, confirmou a autenticidade da carta em que o grupo reivindica a responsabilidade e condenou o ataque “com a maior firmeza”.

“Podemos iniciar o fim do estilo de vida imperial. Na ganância pela energia, a Terra está a ser drenada, sugada, queimada, abusada, devastada, violada e destruída. Fechar as centrais elétricas de combustíveis fósseis é uma tarefa que pode ser realizada manualmente. Tenham coragem“, sublinham os extremistas nas suas mensagens.