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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, condenou esta segunda-feira a “violenta repressão” do regime que lidera o Irão aos manifestantes e garantiu que a União Europeia (UE) está “ao lado dos corajosos iranianos”.
“O regime iraniano deve cessar a violenta repressão contra o seu próprio povo. Estamos ao lado dos corajosos iranianos que reivindicam direitos básicos, dignidade e liberdade“, pode ler-se, numa mensagem divulgada esta segunda-feira à noite na sua conta na rede social X.
The Iranian regime must stop the violent repression of its own people.
We stand with the brave Iranians demanding basic rights, dignity, and freedom.
— António Costa (@eucopresident) January 12, 2026
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
De acordo com a organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega, pelo menos 648 manifestantes foram mortos desde 28 de dezembro em 14 províncias no Irão.
Entre os mortos, estão nove menores, indicou a organização não-governamental, que registou ainda milhares de feridos e estima que o número de detidos ultrapasse os dez mil.
Algumas estimativas, que a ONG não conseguiu verificar, sugerem um número de mortos bastante superior, atingindo mais de 6.000, acrescentou em comunicado divulgado no site.
Também esta segunda-feira, o Governo belga convocou o embaixador iraniano em Bruxelas para protestar contra a repressão das manifestações.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, denunciou as medidas implementadas pelas autoridades iranianas como uma tentativa de “reprimir um movimento que exige democracia, a legítima aspiração dos iranianos a uma vida melhor”.
“Estou a acompanhar de perto a evolução da situação juntamente com os meus homólogos europeus. A Bélgica está preparada para discutir novas sanções europeias”, acrescentou.
O anúncio de Bruxelas surgiu horas depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão ter convocado os embaixadores de países europeus como o Reino Unido, a Alemanha, a Itália e a França, mostrando-lhes um vídeo da “violência dos manifestantes” e exigindo a “retirada das declarações oficiais de apoio aos protestos”.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, referiu esta segunda-feira que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está a considerar ataques aéreos no Irão para terminar a repressão do regime aos protestos.
Em junho, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão.