Jared Kushner, genro e conselheiro do Presidente dos EUA, apresentou a nova Faixa de Gaza à imagem da Casa Branca durante a cerimónia da assinatura do Conselho de Paz, no Fórum Económico Mundial realizado na localidade suíça de Davos. No discurso que acompanhou a apresentação de dispositivos, o conselheiro mostrou o “plano-mestre” do enclave com uma ideia de planeamento urbanístico à imagem da atual Casa Branca e sublinhando que a próxima fase é “trabalhar com o Hamas na desmilitarização”.
Segundo o genro de Trump, a Casa Branca quer levar os “princípios da economia de mercado livre para Gaza”, refletindo a “mesma mentalidade, a mesma abordagem” que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está a implementar nos Estados Unidos.
Como se se tratasse de um projeto de planeamento urbanístico, um dos diapositivos mostra o território de Gaza com cores que representam os locais onde se pretende construir empreendimentos turísticos, complexos industriais (incluindo centros de dados), recintos desportivos, parques e zonas residenciais e delimitar terrenos agrícolas.
Outros diapositivo mostram “a nova Gaza” e a “a nova Rafah”, com arranha-céus junto à costa e uma rede de transportes e infraestruturas industriais tecnológicas e energéticas e a indicação de que planeiam construir mais de cem mil unidades de habitação.
Jared Kushner apresentou também números sobre crescimento económico, aumento do rendimento familiar e criação de emprego ao longo de um período de dez anos, mas sem fornecer qualquer documentação para os fundamentar ou explicação pormenorizada.
Sobre a desmilitarização, Kushner quer que as “armas pesadas” do Hamas sejam desativadas imediatamente. Os membros do Hamas serão “recompensados com amnistia e reintegração”, sendo que alguns “terroristas” serão “integrados” na nova força policial palestiniana após uma “rigorosa verificação”, segundo o plano.
Assim que a desmilitarização estiver concluída e verificada, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa) retirar-se-ão para o perímetro de segurança à volta de Gaza.
Os próximos 100 dias serão dedicados à ajuda humanitária e à reconstrução, assegurou ainda o genro, sublinhando que a ajuda está a chegar à população de Gaza em quantidades suficientes, embora a ONU tenha indicado, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro, que a assistência vital continua a ser claramente insuficiente.
Não obstante, Kushner insistiu que está a ser feito no enclave palestiniano “o maior esforço humanitário numa zona de guerra”.“O nosso objetivo aqui é a paz entre Israel e o povo palestiniano. Todos querem viver em paz. Todos querem viver com dignidade”, concluiu.