Pelo menos quatro políticos importantes da Frente Reformista do Irão foram detidos entre domingo e segunda-feira e outros sete foram intimados a comparecer em tribunal, avançou o jornal Al Jazeera, citando autoridades judiciais iranianas e meios de comunicação estatais. A vaga de detenções ocorreu num contexto de duras críticas de vários membros da coligação reformista à violência utilizada contra os manifestantes na repressão dos protestos que têm assolado o Irão desde o início de janeiro.

As autoridades judiciais, segundo a agência oficial de notícias Mizan, citada pelo Al Jazeera, alegaram que o grupo era responsável por “organizar e liderar várias atividades com o objetivo de perturbar a situação política e social”, num momento em que o país enfrentava “ameaças militares” de Israel e dos EUA.

Segundo as autoridades, os detidos fizeram todos os possíveis “para justificar as ações dos soldados-terroristas nas ruas”.

A Frente Reformista do Irão é uma coligação de partidos reformistas que tem como objetivo fomentar reformas graduais no sistema político islâmico, mas que não tem como objetivo a estrutura clerical existente. Em reação às mortes durante os protestos, a Frente afirmou, no final de janeiro, que lamentava “a grande catástrofe”, e pediu reformas profundas e a criação de uma missão independente de investigação. A coligação ameaçou também dissolver-se caso os “métodos destrutivos do passado” persistissem.

Já esta segunda-feira, num post no X publicado pelo grupo no segundo dia de detenções, os reformistas confirmaram a detenção de pelo menos quatro elementos de destaque do movimento: Azar Mansouri, presidente da Assembleia Geral da Frente Reformista do Irão, Javad Emam, porta-voz, Ebrahim Asgharzadeh, chefe do Comité Político e membro do Presidium, e Mohsen Aminzadeh, membro efetivo da Frente. Foi também denunciada a “a intimação de vários outros membros para comparecer em tribunal”.

A coligação classificou ainda as detenções e intimações do Governo como “chocantes e profundamente dececionantes”, exigindo a libertação imediata de todos os detidos. Na mensagem publicada no X, a plataforma avisa que a continuação deste métodos “não só levará a um maior impasse político, como também dará força às correntes violentas e belicistas que apoiam Israel”.

O grupo alegou ainda que as detenções foram realizadas sem provas “sólidas e transparentes” e com acusações “sem fundamento”.

Azar Mansouri, a presidente da Assembleia Geral da Frente Reformista do Irão, foi detida à porta de casa, pelas forças de inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC), em cumprimento de uma ordem judicial, informou ainda a coligação.

As detenções ocorrem num período de crescente indignação devido à morte de milhares de iranianos durante os protestos de janeiro. As manifestações, que começaram na capital, Teerão, motivadas pelo agravamento da crise económica, assumiram rapidamente uma vertente antigovernamental que se espalhou pelo país.

Mais de 50.200 detidos pelas autoridades iranianas, assinala organização não-governamental HRANA

As autoridades iranianas reconheceram a morte de milhares de pessoas, mas disseram que a grande maioria eram membros das forças de segurança ou pedestres mortos por “terroristas” ao serviço dos Estados Unidos e de Israel.

*Texto editado por Cátia Andrea Costa

Gregorian Bivolaru dá todos os passos do manual de manipulação. Mas quem vive no interior da seita vai demorar a perceber. Ouça o terceiro episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio e o aqui o segundo.]